
O mercado financeiro brasileiro dá sinais de acomodação nesta terça-feira (27), após a forte reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de uma sessão marcada por perdas expressivas, ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos registravam altas moderadas na pré-abertura de Wall Street, enquanto o dólar apresentava leve recuo no mercado futuro.
Na segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, desabou 13,9%, passando de 205.082,56 para 176.608,23 pontos. Foi a maior queda em uma sessão pós-eleitoral desde 2002. O movimento foi atribuído por analistas à revisão das posições dos investidores, que haviam apostado em uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL), além de preocupações com a condução fiscal do próximo governo.
No exterior, o EWZ, principal fundo negociado nos Estados Unidos com exposição a ações brasileiras, avançava 0,29% por volta das 7h06, após perder 19,8% na véspera. Os recibos de ações (ADRs) do Bradesco e do Itaú Unibanco subiam 1,37% e 0,78%, respectivamente, depois de quedas superiores a 20%. Os papéis da Petrobras avançavam 0,76%, após recuo de 13,99% no pregão anterior.
O dólar também mostrava relativa estabilidade. Às 7h15, a moeda norte-americana recuava 0,08% no mercado futuro, após a alta de 8,21% registrada na segunda-feira, quando se aproximou de R$ 5,40.
Bancos divergem sobre próximos movimentos
As perspectivas para os próximos pregões continuam dividindo instituições financeiras. BTG Pactual, Morgan Stanley e JPMorgan veem espaço para novas perdas e maior pressão sobre o dólar e os juros. Outras casas de análise avaliam, porém, que a queda acentuada pode ter tornado as ações brasileiras mais atrativas.
O colunista José Paulo Kupfer avalia que as apostas na vitória da oposição contribuíram para a reação de pânico dos investidores. Na análise, ele também questiona se o mercado não estaria novamente se antecipando ao prever que o quarto mandato de Lula será marcado por uma “política econômica de estresse fiscal”.
A recuperação observada na abertura dos mercados internacionais ainda não indica uma reversão consistente das perdas. O comportamento dos ativos dependerá, entre outros fatores, das expectativas para a política econômica e fiscal do novo governo.
Com informações de UOL







