(Unsplash/Bonnie Kittle)
Turismo começa a ser afetado pelo mandato de Trump (Unsplash/Bonnie Kittle)

A imagem dos Estados Unidos no mundo voltou a despencar — e isso já começa a impactar o turismo global. No segundo mandato de Donald Trump, cresce o número de americanos que estão desistindo de viajar ao exterior por medo da recepção que vão encontrar. E não é só impressão: dados do instituto britânico YouGov mostram que a “favorabilidade” dos EUA caiu de forma expressiva em vários países europeus desde a reeleição de Trump. Na Dinamarca, por exemplo, despencou de 48% para apenas 20%.

Do outro lado, o número de turistas internacionais nos EUA também está em queda: segundo a Tourism Economics, a expectativa é de uma redução de 5,1% nas visitas e um tombo de 11% nos gastos de estrangeiros em solo americano — uma perda estimada em US$ 18 bilhões só neste ano.

O impacto vai além dos números. Agentes e operadoras de turismo relatam cancelamentos crescentes de clientes norte-americanos, motivados por insegurança, medo de hostilidade e vergonha das atitudes da atual administração. Um operador do Nepal contou que perdeu uma reserva confirmada simplesmente porque o turista “não se sentia seguro como cidadão dos EUA viajando no atual contexto político”.

E os motivos não são poucos. A nova política externa de Trump tem sido marcada por tensões com aliados, ameaças comerciais (como a tarifa de 200% sobre bebidas europeias) e até declarações polêmicas como a tentativa de anexar o Canadá ou a Groenlândia. Alguns países europeus passaram a aconselhar que pessoas trans e não-binárias evitem viajar aos EUA.

Para o setor, o alerta está aceso: além das tensões diplomáticas, cresce o desgaste simbólico da imagem americana. E com ele, vem a necessidade urgente de estratégias mais empáticas, comunicação sensível e ações proativas. Como disse Raj Gyawali, especialista do setor, “a indústria do turismo costuma reagir às crises, mas agora precisa começar a antecipá-las”.

No fim das contas, até a escolha da camiseta para viajar pode mudar. Se antes a bandeira dos EUA era símbolo de liberdade, agora muitos americanos preferem deixá-la guardada na gaveta.