
“Essa disputa de preço que a gente vê hoje em dia trouxe também muitos problemas para o mercado.” A frase da Andreza Trivilin, fundadora da agência e site Andreza Dica & Indica e uma das maiores especialistas em Orlando no Brasil, ecoa como alerta para um setor em constante pressão por ofertas mais baratas. Mas até onde vale baixar o valor para conquistar o cliente? E o que se perde quando a prioridade é o preço, não a experiência?
Com 13 anos de produção de conteúdo sobre a cidade mais visitada pelos brasileiros nos Estados Unidos, Andreza viu de perto a transformação do perfil do turista e a ascensão dos consultores de viagem. Começou dividindo informação gratuitamente, atendeu duas famílias que pediram ajuda, e nunca mais parou: hoje, além de influenciadora digital, ela atua como especialista em destinos como Orlando, Miami e vai muito além da Flórida e dos Estados Unidos.
Eu ainda me lembro em uma dessas viagens a trabalho em São Paulo – quando eu fui PR da Disney para o Brasil – em um encontro com o mestre Ricardo Freire, o Viaje na Viagem, conversamos sobre conteúdo de turismo, sobre Orlando e, claro, sobre Disney. E ele solta: “Quando o assunto é Orlando, Flórida e Disney, eu leio a Andreza”. A frase me impactou tanto que lembro até hoje e acho que resume bem a credibilidade e a seriedade com que a Andreza sempre demonstrou trabalhando no turismo. Conversamos há alguns meses e o ponto de vista dela me trouxe várias observações.
“Orlando muda o tempo todo. O que você sabe hoje pode não valer amanhã.” Para ela, o agente de viagens que trabalha com a Flórida precisa estar mais atento do que nunca: aos calendários de feriados americanos, às mudanças nos sistemas de agendamento dos parques, às novas taxas e às atrações que abrem e fecham o tempo todo. Mais do que vender ingresso, trata-se de vender confiança.
E é justamente a confiança que se perde quando o foco é exclusivamente no desconto. “Tem agente que empurra dez dias de ingresso pra quem vai ficar dez dias. Não dá! O cliente não aguenta. Isso quebra a confiança. E quando você perde a confiança, perde o cliente.”
Andreza prefere trabalhar com parcerias sólidas, mesmo que não sejam as mais baratas. “Eu estou com a mesma empresa de seguro viagem desde o início do meu blog. Eu não vendo o que não confio.”
Casos recentes confirmam que o alerta é justificado. Em 2024, a operadora Global Travel encerrou as atividades repentinamente, após acusações de não honrar pacotes vendidos. Clientes relataram que receberam o aviso pelo Instagram, sem suporte. E esses não foram casos isolados: a Interlaken, em 2015, também fechou as portas de forma abrupta, prejudicando centenas de viajantes. A repetição desse ciclo mostra que a guerra de preços, muitas vezes, esconde operações insustentáveis.
Há ainda relatos no trade sobre o impacto da recuperação judicial das empresas 123 Milhas e MaxMilhas, pedida em 2023, que gerou incertezas para agentes e passageiros. Já no caso da Na Mala Tur, circulam denúncias e alegações de clientes prejudicados em 2022, embora ainda sem apuração conclusiva ou decisão judicial conhecida.
“O cliente precisa entender que o barato pode sair muito caro. E o agente precisa entender que vender viagem é sobre orientar, não empurrar produto.”
Para Andreza, a solução está na formação, na experiência em campo e no atendimento que valoriza o cliente. E reforça: “O feed bonito atrai. Mas é o conhecimento que retém.”
No fim das contas, o agente que se destaca é aquele que aposta em atualização constante, vivência real e parcerias confiáveis. O resto é fumaça.







