
Hoje eu me deparei com um dado que, sinceramente, não deveria surpreender — mas ainda assim choca.
O estudo “O Custo da Exclusão LGBTI+ no Brasil”, apoiado pelo Banco Mundial, mostra de forma muito clara algo que há anos a gente já percebe na prática: excluir custa caro. Muito caro.
Estamos falando de R$ 94,4 bilhões por ano que o Brasil deixa de movimentar simplesmente por não incluir plenamente pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho. E mais: R$ 14,6 bilhões em impostos que deixam de ser arrecadados todos os anos.
Ou seja, quando a LGBTfobia ganha, todo mundo perde.
E não é só sobre números — embora eles sejam importantes para escancarar o problema. É sobre pessoas reais, talentos reais, profissionais qualificados que muitas vezes não têm as mesmas oportunidades por causa de preconceito.
O estudo também mostra algo que a gente precisa falar mais: a desigualdade dentro da própria comunidade.
Mulheres pretas LBTI+ enfrentam um gap salarial ainda maior, chegando a -13%. Mulheres trans negras têm taxas de desemprego até três vezes maiores que a média. E cerca de 70% das pessoas LGBTI+ relatam já ter sofrido discriminação no ambiente de trabalho.
Isso não é coincidência. Isso é estrutura.
E por que eu estou falando sobre isso aqui?
Porque no turismo a gente tem uma oportunidade enorme — e uma responsabilidade também.
O turismo é um dos setores mais inclusivos por natureza. Ele conecta culturas, abre portas, gera renda e transforma destinos. E o segmento LGBT+ já é, há anos, um dos que mais cresce no mundo, representando uma fatia extremamente relevante da economia global.
Mas inclusão de verdade não é só colocar uma bandeira no mês de junho.
É preparar equipes, é entender comportamento, é oferecer segurança, é criar experiências onde as pessoas realmente se sintam bem-vindas.
É exatamente isso que a gente busca construir na LGBT+ Turismo Expo.
Quando reunimos destinos, hotéis, operadoras e agentes de viagens, o objetivo vai muito além de negócios. É sobre preparar o mercado para atender melhor, com mais consciência e responsabilidade.
Porque, no fim do dia, inclusão não é só o certo a se fazer.
É também o inteligente.
Um país que inclui mais, cresce mais.
Um mercado que entende seu público, vende mais.
E um turismo que acolhe, transforma.
Talvez o maior valor desse estudo seja justamente esse: mostrar, com números, aquilo que a gente já sabia com a prática — que diversidade não é custo. É investimento.
E dos mais importantes.







