Megaoperação no Rio mobiliza 2,5 mil policiais e é descrita como “guerra” pela imprensa mundial
Veículos estrangeiros apontam que o Rio viveu um “dia de guerra” durante ação contra o Comando Vermelho (Reprodução X/@republiqueBRA)

A megaoperação no Rio de Janeiro realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão repercutiu em veículos de imprensa de diversos países, que descreveram a ação como a mais letal da história do estado, segundo dados do governo fluminense. A ofensiva, que mobilizou cerca de 2.500 policiais civis e militares, teve como alvo o Comando Vermelho (CV) e provocou intensos confrontos na Zona Norte da cidade. O tráfico reagiu com represálias em diferentes pontos do Rio.

O jornal britânico The Guardian afirmou que o Rio “está em guerra” e viveu “o pior dia de violência da história”, após mais de 60 pessoas terem sido mortas na operação. A publicação destacou que os confrontos começaram antes do amanhecer e envolveram tiroteios, barricadas incendiadas e ataques de traficantes armados. “Imagens chocantes de algumas das vítimas circularam nas redes sociais”, diz a reportagem, que classificou o CV como um dos grupos criminosos mais poderosos do Brasil.

Em Portugal, o jornal Público noticiou que criminosos utilizaram drones para lançar granadas contra policiais e bloquearam ruas para impedir o avanço das forças de segurança. “A Operação Contenção […] visa combater a expansão territorial do CV e capturar líderes criminosos do Rio de Janeiro e de outros estados”, afirmou o veículo, citando nota do governo estadual. O Público também apontou que esta é “a operação mais letal da história do Rio de Janeiro”.

A rádio francesa RFI destacou o uso de armamento pesado e relembrou o histórico de violência no estado. “Operações policiais pesadas são comuns no Rio […] frequentemente dominado por traficantes de drogas”, afirmou o texto. Segundo a emissora, cerca de 700 pessoas morreram em operações policiais em 2024, quase duas por dia.

A agência Reuters, do Reino Unido, observou que a ação ocorreu poucos dias antes de o Rio sediar eventos internacionais que antecedem a COP30, como o C40 e o Earthshot Prize. A reportagem lembrou que grandes operações costumam ser realizadas às vésperas de eventos globais, como a Copa do Mundo de 2014 e a cúpula do G20 de 2024. “Cerca de 50 unidades de saúde e educação tiveram suas rotinas interrompidas pelos confrontos”, informou.

O espanhol El País relatou “intensos tiroteios” e o envio de 2.500 agentes às favelas da Penha e do Alemão. A publicação reproduziu declaração do governador Cláudio Castro, que disse que “o Rio está sozinho nesta guerra” e pediu apoio ao governo federal. O jornal descreveu a cidade como “um cenário de caos colosal”.

Na Argentina, o Clarín afirmou que a operação deixou “cenas de guerra” e relembrou a origem do Comando Vermelho nas prisões do Rio na década de 1970. “Imagens captadas em vídeo mostram colunas de fumaça e fogo sobre uma das favelas, lembrando cidades sob ataque em conflitos armados”, descreveu.

Também argentino, o La Nación informou que a operação usou veículos blindados, helicópteros e drones para conter a principal facção criminosa do estado. Segundo o jornal, quatro policiais morreram e oito ficaram feridos. “As autoridades alertaram que os batalhões permanecem em alerta para possíveis represálias de gangues criminosas”, diz a reportagem.