
RIO DE JANEIRO – Anguilla quer ampliar a presença no mercado brasileiro enquanto avança em projetos de infraestrutura, conectividade e qualificação do trade para sustentar o crescimento turístico. A estratégia foi apresentada por Chantelle M. Richardson, Deputy Director of Tourism de Anguilla, durante almoço, nesta sexta-feira (30), com profissionais do setor realizado no Hotel Emiliano.
Em entrevista para o Mercado & Eventos, a executiva revela que o Brasil, Argentina e Colômbia estão entre os mercados prioritários da América do Sul, região que já representa cerca de 12% dos visitantes do destino. Dados do Departamento de Estatísticas do território apontam que a ilha recebeu 81.907 turistas de permanência entre janeiro e junho de 2026, alta de 19,9% em relação aos 68.287 registrados no mesmo período de 2025. No primeiro semestre, os Estados Unidos permaneceram como principal mercado emissor, com 60.415 visitantes, equivalentes a 73,8% do total.
No mercado sul-americano, o Brasil aparece como principal emissor. Em 2024, Anguilla recebeu 1.328 brasileiros, crescimento superior a 33% sobre os 992 registrados em 2023, segundo dados divulgados pelo destino. Naquele ano, a América do Sul somou 2.342 visitantes, sendo 527 da Argentina, 407 da Colômbia e 80 do Chile. O crescimento sul-americano vem sendo acompanhado pelo destino e que muitos desses viajantes combinam Anguilla com outras ilhas do Caribe, como Saint Barthélemy.
De acordo com Richardson, o perfil do visitante sul-americano também ajuda a explicar o interesse crescente pelo destino. Os visitantes têm buscado experiências fora dos hotéis, incluindo restaurantes, excursões, praias e passeios de barco. “As pessoas aproveitam o relaxamento da ilha: você está longe da vida agitada e pode realmente relaxar e desacelerar”, afirma.
A estratégia de Anguilla para o Brasil está relacionada ao posicionamento do destino no segmento de viagens de alto padrão, mas Richardson afirma que a proposta não se limita à hotelaria. “Posicionamos a ilha como luxo sofisticado, mas de forma mais autêntica e descontraída. É onde você realmente consegue mergulhar nas experiências”, diz.
A executiva também destaca a gastronomia como um dos produtos com potencial para o mercado brasileiro. A ilha possui mais de 100 restaurantes, com opções que vão de estabelecimentos de gastronomia refinada a bares de praia e food trucks. Entre os produtos locais estão peixe, lagosta, lagostim e atum.
Anguilla possui seis propriedades integrantes da Virtuoso, além de cerca de 300 villas, que vão de opções de luxo a alternativas de menor custo, e hotéis boutique administrados localmente. “Eu definitivamente incentivaria nossos agentes de viagens brasileiros a combinar seus clientes com a propriedade que melhor corresponda ao que eles procuram, porque temos muitas opções diferentes”, afirma e apresenta experiências fora dos hotéis, como passeios de barco e visitas às ilhotas de Sandy Island, Prickly Pear e Silica Key.
Anguilla amplia conectividade com Brasil e América do Sul
Atualmente, o acesso a Anguilla a partir do Brasil pode ser feito por diferentes conexões, com opções a partir do Rio de Janeiro via Miami, Panamá ou Saint Martin e posterior deslocamento aéreo ou marítimo, via ferry ou barcos privados, até Anguilla. Richardson afirma que o governo trabalha na expansão da infraestrutura aeroportuária e em conversas com companhias aéreas interessadas em operar na ilha.
A primeira fase do plano envolveu a abertura de um novo terminal aeroportuário em dezembro de 2025, que possui 50 mil pés quadrados, novos equipamentos, processos de check-in e segurança atualizados e uma sala VIP para chegadas e partidas. A terceira fase do projeto prevê a extensão da pista, de acordo com Richardson, o governo já assinou os contratos para a execução da obra, que deve ser concluída em aproximadamente um ano e meio.
A executiva cita a expansão da American Airlines como exemplo da demanda pelo destino, que, segundo ela, começou com dois voos semanais entre Miami e Anguilla e posteriormente ampliou a operação para quatro frequências semanais, depois sete, chegando a dois voos diários e três aos sábados.
Além da American Airlines, Richardson menciona conversas com outras empresas, incluindo Delta e JetBlue, além da canadense Porter Airlines. “O governo também está mantendo conversas com companhias aéreas que demonstraram interesse em operar em Anguilla”, afirma.
Destino mantém estratégia de turismo sustentável
Apesar do aumento das chegadas, Anguilla afirma que pretende preservar um modelo de turismo de menor escala. Richardson explica que o destino não possui hotéis all inclusive, não recebe navios de cruzeiro, não permite jet skis e não possui cassinos. A estratégia, segundo ela, busca evitar o turismo de massa e preservar os recursos naturais: “mantivemos um modelo de turismo sustentável, de baixo rendimento e alto volume.”
Anguilla possui áreas destinadas à preservação dos recifes de coral e parques nacionais marinhos, além de zonas específicas para embarcações e iates, que não podem acessar determinadas áreas protegidas. O governo de Anguilla já trabalha há anos em projetos para desenvolver uma estrutura de marina para megaiates e estabeleceu, inclusive, mecanismos regulatórios específicos para o desenvolvimento e registro de vagas de marina.
O modelo deverá ganhar uma nova estrutura em 2027, com o anúncio de abertura do primeiro empreendimento de marina de megaiates de luxo do destino, com 118 vagas, prevista para abril. A estrutura deverá contar ainda com lojas e outros serviços voltados aos visitantes de alto padrão.
Capacitação do trade brasileiro entra na estratégia para 2027
O Anguilla Tourist Board assinou uma parceria com a EM Business Consulting Services para representação do destino na América do Sul. A estratégia da aproximação com agentes e operadores brasileiros inclui webinars, comunicados à imprensa, newsletters, materiais informativos e o desenvolvimento de um programa de capacitação para agentes de viagens.
O projeto também prevê possíveis recompensas e viagens de familiarização para profissionais que concluírem a capacitação, de acordo com o desempenho dentro do programa. “Queremos identificar pessoas como vendedores certificados da ilha. Depois que concluírem o programa, estudarem as informações, também vamos classificá-las em diferentes níveis”, explica.
Não há novos hotéis confirmados neste momento, mas o lançamento citado para 2027 é o Ani Villas Shoal Bay, empreendimento com 15 unidades em formato de villas, cuja abertura está prevista para fevereiro. A executiva aponta uma mudança no perfil da oferta, com maior presença de propriedades residenciais e villas.
A expansão da infraestrutura ocorre enquanto Anguilla registra crescimento nas chegadas. No primeiro semestre de 2026, o destino contabilizou 171.143 chegadas de visitantes, incluindo turistas que permanecem na ilha e excursionistas, alta de 34,9% sobre os 126.841 registrados no mesmo período de 2025.
Para o Brasil, a estratégia passa por aumentar o acesso, capacitar o trade e apresentar a ilha para além da hotelaria. O objetivo é fazer com que o visitante conheça restaurantes, praias, atividades náuticas e eventos culturais. “Queremos que nossos agentes de viagens brasileiros explorem mais, deem aos clientes a oportunidade de conhecer a ilha e tudo o que temos a oferecer”, conclui Richardson.







