São Paulo
Setur-SP lança mapeamento e cartilha para impulsionar turismo LGBT+ em São Paulo (Divulgação Setur-SP)

A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) lançou um mapeamento do turismo LGBT+ no estado e uma cartilha de boas práticas para orientar destinos e empresas no atendimento a esse público. O levantamento ouviu 72 municípios e identificou iniciativas em 30 cidades, enquanto outras 16 estão planejando ações para desenvolver o segmento.

Somados, os dois grupos representam 63,9% dos municípios pesquisados. O estudo também aponta espaço para expansão: 24 das 26 cidades que ainda não desenvolvem atividades identificadas demonstraram interesse em começar. No total, 69 municípios (95,8%) manifestaram disposição para participar de futuras capacitações, encontros ou projetos sobre turismo LGBT+.

As publicações buscam apoiar políticas públicas, qualificar profissionais e estimular a criação de destinos mais inclusivos, além de fortalecer a cooperação entre governos, empresas e sociedade civil.

Santos, Campinas e outras cidades já desenvolvem iniciativas

Entre as ações identificadas estão Paradas do Orgulho LGBTI+, eventos e semanas da diversidade, campanhas contra a LGBTfobia, capacitação profissional, conselhos municipais, atividades culturais e iniciativas de acolhimento.

Santos se destaca pelo Selo Santos da Diversidade e pela Semana Municipal da Diversidade Sexual. Praia Grande promove ações relacionadas à Semana da Diversidade e à Parada, enquanto São Sebastião apoia o evento Orgulhe-se e realiza atividades culturais e de formação.

No interior, Campinas conta com guias temáticos, programação para o Mês do Orgulho LGBTI+ e estrutura institucional voltada à diversidade sexual. Araraquara reúne iniciativas como a Parada, o Centro de Referência e Resistência LGBTQIA+ e uma casa de acolhimento.

Para Ana Biselli, secretária estadual de Turismo e Viagens, os dados podem orientar novas medidas. “Os resultados indicam que há espaço para criação de políticas públicas estaduais que contribuam com capacitação dos profissionais do turismo, além de promover a sensibilização sobre acolhimento e diversidade e prestar apoio técnico aos municípios”, afirma.

A secretária também destaca a possibilidade de estruturar produtos e roteiros turísticos para comercialização e ampliar a cooperação entre o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil.

Cartilha orienta hotéis, restaurantes e atrativos

Lançada durante a 10ª Conferência Internacional da Diversidade, em setembro, na capital paulista, a Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+ reúne orientações para gestores públicos e profissionais de diferentes áreas do turismo.

O material aborda desde o respeito ao nome social e aos pronomes até práticas de atendimento em hotéis, bares, restaurantes e atrações turísticas. Um dos exemplos recomenda que, diante da reserva de um quarto com cama de casal por um casal do mesmo sexo, o estabelecimento confirme a acomodação solicitada sem questionamentos ou constrangimentos.

A publicação também incentiva os municípios a envolverem os Conselhos Municipais de Turismo (Comturs) e a integrarem ações de turismo, cultura, segurança, direitos humanos e desenvolvimento econômico. Inclui ainda um checklist para avaliar políticas locais de diversidade e dez compromissos para a construção de um destino acolhedor.

“É importante lembrar sempre que o turismo é uma atividade para todos. É um direito do cidadão, além de ser uma atividade que deve ser benéfica, acolhedora, respeitosa e agradável para os viajantes e para os profissionais do setor”, afirma Biselli. “O turismo é plural e São Paulo é para todos.”

A cartilha está disponível para consulta e download neste link.

Pesquisa aponta potencial econômico do público LGBTQIA+

O levantamento do IEMI – Inteligência de Mercado também dimensiona o peso econômico desse público. Segundo a pesquisa Perfil e Comportamento do Consumo e do Turismo da População LGBTQIA+ do Brasil, as famílias brasileiras movimentaram R$ 8,25 trilhões em consumo de bens e serviços em 2025. Desse total, a população LGBTQIA+ respondeu por aproximadamente R$ 911 bilhões, cerca de 11%.

Os gastos com viagens esporádicas de lazer desse público foram estimados em R$ 33,4 bilhões, equivalentes a 3,7% de seu consumo total estimado. No conjunto das famílias brasileiras, esse tipo de viagem movimentou R$ 140,2 bilhões, ou 1,7% do consumo anual.

Os números reforçam o potencial do segmento e a importância de preparar destinos e empresas para oferecer experiências acolhedoras, ampliar oportunidades de negócios e desenvolver o turismo LGBT+ em São Paulo.