
O Brasil dá um novo passo na consolidação de um dos segmentos mais dinâmicos da indústria de viagens com o lançamento do Manifesto de Turismo LGBT+ do Brasil. O documento reúne diretrizes, dados e propostas com o objetivo de posicionar o país como um destino mais competitivo, seguro e inclusivo no cenário internacional.
A iniciativa é liderada pela IGLTA, pela Câmara de Comércio de Turismo LGBT+ do Brasil e pela LGBT+ Turismo Expo. O material foi construído de forma colaborativa, com a participação de profissionais de diferentes áreas do turismo, incluindo integrantes da própria comunidade LGBT+.
Antes da versão final, o conteúdo ficou aberto a contribuições até 23 de março. Durante o período, foram recebidas diversas sugestões, posteriormente analisadas e incorporadas ao texto, garantindo maior alinhamento com as demandas reais do mercado e ampliando a representatividade do setor.
Evolução histórica e potencial bilionário do Turismo LGBT+
O manifesto apresenta uma análise estruturada do turismo LGBT+ no Brasil, resgatando sua trajetória desde os primeiros movimentos organizados, nos anos 1990, até sua consolidação recente como um dos principais ecossistemas de negócios do turismo nacional. O documento também reforça o peso econômico do segmento, que, segundo a UN Tourism, representa entre 5% e 10% do mercado global, movimentando mais de US$ 211 bilhões por ano.
Além dos números, o texto destaca características estratégicas desse público, como maior frequência de viagens, resiliência em períodos de crise e contribuição para a redução da sazonalidade nos destinos — fatores que ampliam o potencial de geração de receita ao longo de todo o ano.
Para Alex Bernardes, diretor da LGBT+ Turismo Expo, o documento reforça a necessidade de tratar o segmento como prioridade estratégica. Segundo ele, trata-se de um mercado qualificado, que exige profissionalização, produção de dados e políticas específicas para que o Brasil consiga competir em nível global.
Já Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio de Turismo LGBT+ do Brasil, destaca o papel do setor privado na estruturação do mercado. Para ele, embora o turismo LGBT+ já seja uma realidade no país, ainda há espaço significativo para evolução, especialmente com investimentos de longo prazo e estratégias mais consistentes por parte de empresas e destinos.
Estratégia, capacitação e combate ao “rainbow washing”
O manifesto também chama atenção para práticas superficiais, como o chamado “rainbow washing”, e reforça a importância de ações estruturadas. Entre elas estão a capacitação do trade turístico, o desenvolvimento de políticas públicas específicas e a criação de experiências alinhadas às expectativas desse público.
Na avaliação de Clovis Casemiro, coordenador da IGLTA no Brasil, o documento aproxima o Brasil das tendências internacionais. Ele ressalta que o país possui atributos únicos para se destacar, mas precisa transformar esse potencial em estratégia concreta, com planejamento e integração entre iniciativa privada e poder público.
Entre as principais recomendações do manifesto estão a institucionalização da diversidade como pilar de competitividade, o investimento em formação profissional, a produção de dados estruturados sobre o comportamento do turista LGBT+ e o desenvolvimento de novos produtos turísticos, incluindo destinos de natureza, eventos esportivos e celebrações.







