Atlantica cresce 4% com foco em turismo regenerativo no Brasil
Guilherme Martini, Vice-presidente de Operações, Vendas & Marketing, da Atlantica Hospitality (Marcone Lopes)

SÃO PAULO – Em meio a um momento de mudança no comportamento do viajante, a Atlantica Hospitality International decidiu ajustar o rumo. Durante a WTM Latin America 2026, a rede apresentou um movimento: colocar o turismo regenerativo no centro da estratégia, e os primeiros números já começaram a aparecer.

Com 186 empreendimentos e cerca de 28,5 mil quartos no país, a companhia registrou crescimento de 4% na ocupação no primeiro trimestre de 2026 em hotéis localizados em destinos ligados a práticas sustentáveis. O dado ajuda a entender um movimento maior que vem ganhando força no setor.

Um viajante diferente, decisões diferentes

Dados recentes indicam que a maioria dos turistas quer reduzir impactos e, mais do que isso, deixar algum tipo de contribuição positiva nos destinos visitados. Esse comportamento começa a influenciar desde a escolha do hotel até o tempo de permanência e o tipo de experiência buscada.

“O viajante que busca propósito em suas viagens traduz uma demanda crescente por experiências que unem hospitalidade, responsabilidade socioambiental e integração com as comunidades locais”, afirma Guilherme Martini, VP sênior da companhia.

Essa mudança de mentalidade tem impacto direto na operação. Afeta estratégia comercial, posicionamento de marca e até decisões de expansão.

Quando sustentabilidade vira critério de escolha

Na prática, hotéis que incorporam soluções sustentáveis começam a ganhar vantagem competitiva. Um dos exemplos é o Ramada by Wyndham Campinas Viracopos, primeira unidade da rede a conquistar a certificação internacional Green Key, selo que avalia critérios rigorosos de gestão ambiental.

No interior paulista, o Cyan Resort by Atlantica aposta em economia circular, com parcerias locais para gestão de resíduos. Já o Quality Hotel Jundiaí saiu na frente ao instalar um ponto de recarga rápida para carros elétricos, algo ainda raro fora dos grandes centros. São iniciativas diferentes, mas que apontam para o mesmo caminho: adaptação a um novo perfil de consumo.

ESG deixa de ser tendência e entra na rotina

A estratégia da Atlantica está organizada dentro do programa Aja, que concentra as diretrizes ESG da companhia. O foco passa por três frentes principais:

  • redução de emissões
  • uso mais eficiente de recursos naturais
  • gestão de resíduos

A meta é objetiva: reduzir em 6% as emissões de gases de efeito estufa até o fim de 2026 e avançar na certificação ambiental dos hotéis.

Hoje, parte do portfólio já está nesse processo, e a expectativa é que metade das unidades tenha o selo Green Key nos próximos meses. No horizonte mais longo, o plano é mais ambicioso: descarbonizar metade da operação e certificar todos os empreendimentos em até dez anos.

O efeito direto no negócio

Durante muito tempo, sustentabilidade foi tratada como diferencial. Agora, começa a se tornar requisito. Hotéis que não acompanham esse movimento correm o risco de perder relevância, principalmente entre viajantes mais jovens e internacionais, que já colocam esse critério como decisivo na hora da reserva.

Ao mesmo tempo, destinos que investem em práticas regenerativas acabam atraindo um perfil de visitante que permanece mais tempo, consome experiências locais e distribui melhor o impacto econômico. Esse tipo de turista tende a gastar mais e a voltar.

Um movimento que vai além da hotelaria

O que a Atlantica apresentou durante a feira não é um caso isolado. É parte de uma transformação mais ampla da indústria de viagens. Operadoras, destinos e companhias aéreas também começam a ajustar suas estratégias para atender essa nova demanda. A própria WTM deste ano reforça essa discussão ao trazer como tema central a ideia de viajar com propósito.

O turismo, que já foi visto como vetor de impacto negativo em alguns destinos, passa por uma reconfiguração. A lógica agora é outra: regenerar em vez de apenas explorar.

O que vem pela frente

Se os números iniciais servem como termômetro, a tendência é de crescimento consistente desse modelo nos próximos anos. A Atlantica, ao direcionar parte da sua operação para esse tipo de destino, tenta se posicionar com antecedência em um mercado que ainda está se organizando, mas que já mostra sinais claros de consolidação.