Turismi / China
Ministro destaca geração de empregos e busca ampliar fluxo de chineses ao Brasil (Mtur/Divulgação)

O turismo brasileiro voltou ao centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e inclusão social. Em agenda oficial na China, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, afirmou que o setor tem potencial para se tornar uma das principais ferramentas de geração de oportunidades no país, destacando sua capacidade de criar empregos, movimentar a economia e ampliar a participação de diferentes comunidades na atividade turística.

O ministro reforçou em entrevista que o fortalecimento do turismo faz parte da estratégia do governo federal para ampliar a inclusão social e estimular o crescimento econômico em diversas regiões brasileiras.

Segundo Feliciano, o turismo já ocupa posição relevante na economia nacional e segue em trajetória de expansão. “Somos a sexta cadeia produtiva que mais emprega no Brasil. Geramos mais de 2,7 milhões de postos de trabalho e precisamos permanecer nesse crescimento”, afirmou para CNN.

A declaração ocorre em meio a uma série de compromissos do Ministério do Turismo na China, considerados estratégicos para ampliar a presença do Brasil em um dos maiores mercados emissores de viajantes do mundo.

Brasil busca ampliar presença no mercado chinês

A missão liderada por Gustavo Feliciano tem como foco aumentar a conectividade aérea entre os dois países e fortalecer a promoção dos destinos brasileiros junto ao público chinês.

Entre os encontros realizados durante a viagem está a negociação com a China Eastern, uma das maiores companhias aéreas estatais chinesas. O objetivo é discutir a possibilidade de criação de novas rotas que facilitem o deslocamento de turistas entre Brasil e China.

Além das conversas com a companhia aérea, a delegação brasileira também avançou em tratativas com a CTrip, uma das maiores plataformas digitais de viagens do mundo. A proposta é ampliar a visibilidade dos destinos brasileiros no mercado asiático e facilitar o acesso de turistas chineses a informações e produtos turísticos nacionais.

Para o ministro, o interesse crescente dos chineses pelo Brasil representa uma oportunidade importante para o setor.

“Os encontros foram importantes para promovermos ações com foco em trazermos o turista chinês, que pertence a um mercado muito promissor. De 2024 a 2025, já crescemos 35% no recebimento de turistas chineses”, destacou.

Mercado chinês é visto como estratégico

A China é considerada um dos principais mercados turísticos do planeta devido ao elevado volume de viajantes internacionais e ao crescimento constante do gasto médio dos turistas em viagens ao exterior.

Nos últimos anos, destinos da América Latina passaram a disputar uma fatia maior desse fluxo, apostando principalmente em atrações naturais, culturais e experiências ligadas à biodiversidade.

O Brasil busca se posicionar nesse cenário com atrativos como praias, ecoturismo, patrimônio histórico, gastronomia e manifestações culturais reconhecidas internacionalmente.

A estratégia também envolve ampliar a presença do país em plataformas digitais utilizadas pelos consumidores chineses, além de facilitar o acesso por meio de acordos e políticas voltadas à redução de barreiras para viagens.

Isenção de vistos entra na estratégia de atração

Turismo / China
Governo aposta no turismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e social (Reprodução/Instagram)

Outro tema abordado pelo ministro foi a política de isenção de vistos para cidadãos chineses, considerada uma ferramenta importante para aumentar a competitividade do Brasil na disputa por turistas internacionais. Segundo Feliciano, a medida deve contribuir para ampliar o fluxo de visitantes nos próximos anos.

“O turista chinês tem uma atração pelo Brasil, pelas nossas belezas naturais, pela nossa cultura. Essa política de isenção vai se transformar em frutos positivos para o turismo no nosso país”, afirmou.

A expectativa do governo é que a simplificação dos processos de entrada reduza obstáculos burocráticos e torne o Brasil uma alternativa mais atrativa para os viajantes asiáticos.

Especialistas do setor apontam que a conectividade aérea e a facilidade de entrada costumam ser fatores decisivos na escolha de destinos internacionais, especialmente em mercados de longa distância.

Inclusão e qualificação também estão entre as prioridades

Além da promoção internacional, o Ministério do Turismo tem apostado em iniciativas voltadas à qualificação e à inclusão dentro da atividade turística. Durante a entrevista, Gustavo Feliciano destacou ações recentes desenvolvidas pela pasta, entre elas o lançamento do Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas e do Guia para Atender Bem Turistas Neurodivergentes.

As medidas buscam ampliar a acessibilidade e oferecer informações que contribuam para experiências mais seguras e inclusivas. O ministro também citou programas de qualificação direcionados a comunidades quilombolas e indígenas, com foco na valorização cultural e na geração de renda por meio do turismo.

A proposta é ampliar a participação dessas comunidades no setor, fortalecendo iniciativas ligadas ao turismo de base comunitária e à preservação de patrimônios culturais tradicionais.

Governo acompanha impactos da crise no Estreito de Ormuz

Gustavo Feliciano também comentou os possíveis reflexos da crise envolvendo o Estreito de Ormuz sobre o turismo brasileiro. A preocupação está relacionada principalmente ao impacto da valorização do petróleo sobre o preço do querosene de aviação, um dos principais custos das companhias aéreas.

Segundo o ministro, o governo acompanha a situação e trabalha para minimizar eventuais consequências para o mercado nacional.

“Observamos com bastante cuidado essa movimentação, mas não deixamos de trabalhar as oportunidades para que possamos atrair turistas estrangeiros. Graças a um trabalho incessante do Governo Federal, o número de turistas nos primeiros quatro meses de 2026 tem se mantido como em 2025”, afirmou.

A manutenção do fluxo de visitantes internacionais é vista como uma das prioridades da política turística brasileira, especialmente em um cenário global marcado por instabilidades econômicas e geopolíticas.

Turismo ganha peso na estratégia econômica

Com geração de milhões de empregos, crescimento da demanda internacional e investimentos em inclusão e qualificação, o turismo segue ampliando sua relevância dentro da economia brasileira. A missão realizada na China reforça a aposta do governo na diversificação dos mercados emissores e na ampliação da presença do Brasil no cenário global, em uma estratégia que combina promoção internacional, conectividade aérea e desenvolvimento social.