“Gratidão e parceria”: como a Azul Viagens reorganizou estrutura e mira um novo posicionamento em 2026
Giulliana Mesquita, head da Azul Viagens (Ana Azevedo/M&E)

GRAMADO – O ano de 2025 marcou uma virada interna importante para a Azul Viagens. Sob a liderança de Giulliana Mesquita, que assumiu a condução completa da operadora em um período sensível, a empresa atravessou um cenário de fragilidade no mercado e a entrada do grupo Azul em Chapter 11 nos Estados Unidos.
O processo coincidiu com uma reorganização estratégica da área de turismo, que envolveu fortalecimento do time, reestruturação interna e um movimento prioritário de preservação das relações com parceiros.

Giulliana conta que o início do ano exigiu precisão e diálogo constante. A Azul Viagens esteve em estado de contingência para conversar diretamente com agências e parceiros estratégicos, reforçando a transparência e o compromisso com a continuidade das operações. “A credibilidade construída com o trade foi determinante. O que nos sustentou foi o apoio dessas relações sólidas, muitas delas consolidadas ainda no período pós-pandemia. A palavra que define este ano é gratidão”, revelou.

A união também foi interna. O processo resultou em um time mais coeso e alinhado. A executiva admite que nem todas as metas estruturais previstas para os primeiros meses foram concluídas, mas afirma que o avanço é claro, principalmente na revisão dos fluxos de atendimento às agências e na modernização dos sistemas. “São mudanças que exigem tempo. Estamos construindo enquanto rodamos, e no caminho certo”, destacou.

No portfólio, a chegada de novas lideranças reforça o foco em ampliar a oferta além dos destinos já consolidados, como no Nordeste. A operadora deve fortalecer sua presença no internacional, onde passará a trabalhar também com companhias aéreas parceiras, ampliando acesso a mercados onde a malha própria não atua diretamente.

A estratégia de lojas, contudo, segue em revisão. A Azul Viagens aposta no modelo multicanal, mas trabalha para definir mais claramente o papel das unidades físicas dentro da expansão. Segundo Giulliana, é essencial equilibrar presença territorial com eficiência comercial e evitar sobreposição entre canais. A política de manter a mesma precificação e grade de produto para todos permanece como diretriz central. Em 2026, mais detalhes sobre essa nova fase serão reveladas.

A Black Friday também reflete a fase de ajustes. A operadora adotou uma estratégia de mês inteiro, equilibrando volume e margem. Giulliana resume o desafio como “um olho no peixe e outro no gato”, buscando atender expectativas do cliente e do agente sem abrir mão de rentabilidade.

Quando questionada sobre vantagens e limitações de estar sob o guarda-chuva de uma companhia aérea, a executiva é direta: o acesso à marca Azul e sua credibilidade são um diferencial competitivo importante. Por outro lado, operar com apenas uma companhia aérea restringe a flexibilidade comercial que outros operadores possuem. “Não é tão simples como parece de fora. Existe força, mas também limite”, disse.

A perspectiva para 2026 é otimista. “Eu estou muito animada para o próximo ano”, afirmou Giulliana com entusiasmo. A Azul Viagens mira um novo ciclo, baseado principalmente em fidelização do trade e aprofundamento de parcerias estratégicas. “Não queremos disputar venda a venda. Queremos desenvolver relações contínuas, com benefícios claros para quem escolhe estar conosco”, resumiu Giulliana.

Um conselho: fiquem atentos! As próximas semanas e meses prometem movimentações e ainda mais novidades relacionadas a operadora, que voou cada vez mais alto neste ano, apesar de turbulências.

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