
SÃO PAULO – O desenvolvimento dos fluxos turísticos entre Brasil e Portugal ganhou novos contornos nos últimos anos, impulsionado por conectividade aérea, profissionalização do setor e estratégias de promoção internacional mais estruturadas. O tema foi debatido no painel “Desenvolvimento dos fluxos turísticos entre ambos os países”, durante o Fórum Atlântico de Turismo, reunindo representantes do setor público e privado.
Abrindo a discussão, o mediador da conversa, Pedro Ribeiro, diretor comercial da Vila Galé, destacou o papel histórico do turismo na aproximação entre os dois países. “O turismo foi uma grande família na relação entre Brasil e Portugal ao longo dos anos, contribuindo diretamente para o conhecimento mútuo entre os povos”, afirmou.
Aumento de rotas impulsiona crescimento
Um dos principais motores dessa evolução tem sido a aviação. Carlos Antunes, diretor da TAP para as Américas, ressaltou o papel estratégico da companhia aérea na expansão das ligações de rotas entre os dois mercados. “A TAP transporta mais de 2,2 milhões de passageiros por ano e é hoje a principal companhia internacional operando no Brasil, com 13 destinos, que passarão a 15 em 2026”, explicou.
Segundo ele, a abertura de novas rotas exige planejamento e articulação. “Lançar uma rota não é um exercício simples. Precisamos de demanda, infraestrutura, apoio institucional e promoção do destino. Em Santa Catarina, por exemplo, encontramos exatamente esse ambiente”, disse.
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O voo direto entre Florianópolis e Lisboa exemplifica esse movimento. Com taxa de ocupação entre 95% e 97% em 2025, a rota se consolidou rapidamente. “Essa rota é um sucesso para uma operação com menos de dois anos”, destacou Antunes, acrescentando que há planos de ampliação da frequência.
A secretária de Turismo de Santa Catarina, Catiane Seiff, detalhou a estratégia que levou o estado a conquistar esse avanço. “Santa Catarina representa apenas 1% do território brasileiro – mas recebeu, em 2025, 1 milhão de turistas estrangeiros. O destino entendeu o turismo como atividade econômica estratégica para gerar emprego e renda”, afirmou.
Ela explicou que a internacionalização foi uma escolha planejada. “Começamos pela Europa e por Portugal, não apenas pelo fluxo, mas pela valorização da moeda e pelo potencial de retorno”, disse. O resultado já aparece nos números: o mercado português saltou para a quarta posição entre os emissores internacionais para o estado em 2025. Cinco anos antes, Portugal sequer figurava no ranking.
“Nosso desafio era mostrar que Santa Catarina é um destino para o ano todo, não apenas para o verão. Trabalhamos promoção, capacitação e até produções audiovisuais para reposicionar a imagem do estado. Hoje conseguimos entrar na casa de milhões de pessoas em diversos países, o que tem um impacto imensurável”, afirmou.
Do lado da distribuição turística, Ronnie Correa, diretor geral da Abreu no Brasil, destacou as transformações do mercado na última década. “A tecnologia mudou completamente a forma como o turista consome informação e planeja viagens. Isso cria oportunidades, mas também desafios, especialmente em relação à confiabilidade das informações”, disse.
Ele também ressaltou o avanço na qualidade dos destinos. “Portugal deu um salto enorme em profissionalismo, e o Brasil está seguindo esse caminho. Essa evolução aumenta a competitividade e gera mais negócios”, avaliou.
Conflitos globais preocupam – mas também trazem oportunidades
Por outro lado, o executivo alertou para um fator limitante: o aumento dos custos. “Os preços subiram muito no pós-pandemia. O grande desafio agora é mostrar que o destino vale o investimento”, afirmou.
A conjuntura internacional também influencia diretamente os fluxos turísticos. Carlos Antunes chamou atenção para o impacto do cenário geopolítico e da alta do combustível. “O combustível representa cerca de 28% dos custos de uma companhia aérea. Com a recente escalada de preços, isso pressiona as tarifas e pode afetar a demanda”, explicou.
Ainda assim, o momento favorece destinos considerados seguros, como Brasil e Portugal. “Estamos vendo uma redistribuição dos fluxos globais. Muitos viajantes estão optando por destinos mais estáveis, o que beneficia diretamente essa relação bilateral”, disse.
Ronnie Correa reforçou essa tendência. “Portugal e Brasil são escolhas naturais nesse cenário. Há confiança, afinidade cultural e segurança relativa, o que sustenta o crescimento dos fluxos”, afirmou.
O painel deixou claro que o avanço do turismo entre os dois países é resultado de uma combinação de fatores: política pública, investimento privado, conectividade e promoção eficiente. Mais do que aumentar o volume de turistas, o desafio agora é garantir sustentabilidade e valor para ambos os destinos.
“Os fluxos existem e tendem a crescer. A grande questão será até onde o mercado está disposto a ir diante dos custos, e como continuaremos a gerar valor nessa relação”, concluiu Ronnie Correa.







