Tour House investe milhões em tecnologia e prepara virada no mercado corporativo
Gian Terhoch, da Tour House (Felipe Abílio/M&E)

SÃO PAULO – A WTM Latin America 2026, em São Paulo, voltou a funcionar como termômetro do setor de turismo e abriu espaço para anúncios que vão além de destinos e experiências. No meio desse movimento, a Tour House escolheu o evento para sinalizar uma mudança importante na sua estratégia. Depois de dois anos de desenvolvimento interno, a empresa prepara o lançamento oficial de uma plataforma própria voltada para viagens corporativas, acompanhada de um pacote mais amplo de soluções tecnológicas.

A novidade não chega exatamente como um teste. Segundo Gian Terhoch, a ferramenta já roda nos bastidores, com clientes ativos e movimentação relevante. “Apesar de ser uma novidade para o mercado, para a gente já é realidade. É uma solução que vem sendo utilizada e já movimenta um volume milionário por mês”, afirmou.

Plataforma própria e ecossistema completo

A proposta da empresa não se limita a um sistema de reservas ou gestão de viagens. A ideia é integrar diferentes etapas da jornada corporativa em um único ambiente. A Tour House trabalha em um ecossistema que inclui desde o booking tool até meios de pagamento, controle de despesas e prestação de contas.

Entre os produtos que entram nesse pacote está um cartão corporativo próprio, chamado internamente de “TH Pay”, além de soluções voltadas à gestão de gastos. “O sistema é só a cereja do bolo. Existe toda uma estrutura por trás sendo construída para dar suporte ao cliente”, explicou o executivo.

Esse movimento acompanha uma tendência clara do mercado, em que empresas buscam centralizar operações e ganhar mais controle sobre custos e processos. Ao desenvolver tecnologia própria, a Tour House tenta sair de um modelo dependente de soluções terceirizadas para algo mais customizado.

Investimento pesado em tecnologia

A virada não veio de forma pontual. Segundo a empresa, o projeto exigiu investimento de milhões de reais e deve continuar consumindo uma fatia relevante da receita nos próximos anos. Só em 2026, a expectativa é direcionar entre 15% e 20% do faturamento para tecnologia.

“Foi um trabalho longo, com muita energia envolvida. A gente passou esse período pós-pandemia reorganizando a operação e agora entra em um novo ciclo, totalmente focado em tecnologia”, disse Gian.

Esse reposicionamento também responde a uma pressão do próprio mercado. Clientes corporativos passaram a exigir mais autonomia, agilidade e integração de dados, algo que nem sempre é possível com ferramentas padrão.

Mudança responde a novas demandas do mercado

A Tour House construiu sua reputação ao longo de mais de três décadas com foco em atendimento e relacionamento. Mas, segundo o executivo, isso deixou de ser suficiente diante das mudanças recentes.

“A gente sempre foi reconhecido pelo serviço, mas os clientes começaram a pedir novidade. Existe uma demanda clara por soluções mais modernas, mais flexíveis”, afirmou.

A leitura interna foi direta: era necessário manter o padrão de atendimento, mas incorporar tecnologia como parte central da experiência. A nova plataforma surge exatamente dessa combinação. A estratégia também tenta resolver uma lacuna comum no setor. Muitas empresas operam com diferentes sistemas desconectados, o que dificulta a gestão e reduz a eficiência. Ao integrar tudo em um único ambiente, a expectativa é simplificar processos e melhorar a tomada de decisão.

Crescimento no início do ano e alerta para cenário global

Apesar do cenário econômico e geopolítico instável, a Tour House começou 2026 com resultados positivos. De acordo com Gian, as metas de vendas foram atingidas e o nível de retenção de clientes segue controlado.

“O primeiro trimestre foi muito bom, tanto em faturamento quanto em novos negócios. A equipe conseguiu entregar resultado”, disse.

Ao mesmo tempo, o executivo evita qualquer leitura otimista demais. O ano traz uma combinação de fatores que podem impactar diretamente o setor de viagens corporativas. Entre eles estão eventos como a Copa do Mundo FIFA 2026, o calendário eleitoral no Brasil e tensões internacionais envolvendo Estados Unidos e Oriente Médio.

Esses elementos têm efeito direto sobre custos operacionais, especialmente no preço do combustível e das passagens aéreas. “Qualquer movimento no petróleo impacta o querosene de aviação e isso chega rapidamente no cliente. É algo que a gente acompanha muito de perto”, explicou.

A preocupação não é nova para o setor, mas exige adaptação constante. Empresas precisam revisar políticas de viagem, renegociar contratos e buscar eficiência para manter os programas sustentáveis.

Próximos passos e evento próprio

O anúncio feito durante a WTM é apenas o começo. A Tour House prepara um evento próprio, onde pretende apresentar oficialmente todo o pacote de soluções. A ideia é detalhar o funcionamento da plataforma, mostrar os diferenciais e abrir espaço para o mercado entender melhor o que está sendo construído.

“Nas próximas semanas a gente deve vir a público com mais detalhes. Vai ser um momento importante para mostrar tudo que foi desenvolvido”, afirmou Gian.

Um movimento que reflete o setor

A decisão da Tour House não acontece isoladamente. O mercado de viagens corporativas passa por uma transformação mais ampla, impulsionada por tecnologia, dados e necessidade de eficiência. Empresas que antes operavam com foco operacional agora buscam assumir um papel mais estratégico, oferecendo inteligência e soluções integradas.