
SÃO PAULO – Durante o primeiro dia de WTM Latin America 2026, Thomas Drechsler, CCO da Aviareps, detalhou a estratégia da empresa na região, destacou a importância do mercado brasileiro, comentou planos de expansão e analisou impactos do cenário geopolítico no setor de turismo, incluindo perspectivas para 2026.
A Aviareps é uma empresa global iniciada na Alemanha há mais de 30 anos, mas o primeiro escritório na América Latina foi no Brasil. “O Brasil ainda é nosso maior e mais importante mercado”, afirmou Thomas. Drechsler ressaltou ainda que o escritório brasileiro segue como o principal da região e justificou a presença da Aviareps no evento.
“Nosso maior escritório entre todos os da América Latina está aqui, e a WTM Latin America ainda é uma das principais feiras do setor na região, então faz sentido estarmos aqui”, disse.
A expansão das operações da Aviareps no país ocorre de forma gradual, acompanhando o crescimento da demanda e a entrada de novos clientes. “Estamos crescendo ano após ano em relação a novos clientes e novas oportunidades de negócios, adicionando, por exemplo, cruzeiros ao mercado brasileiro dentro dos nossos serviços, expandindo o negócio de carga. É um processo constante de desenvolvimento e ampliação dos serviços”, explicou.
A busca por novos clientes brasileiros segue como prioridade estratégica da Aviareps
“Sempre temos planos de conquistar novos clientes. Esse é um dos principais objetivos de estarmos aqui”, disse. Ele explicou que a atuação ocorre em duas frentes: levar clientes brasileiros para outros mercados e trazer destinos internacionais para o Brasil. “Queremos ter mais clientes do Brasil representados em outras partes do mundo. Tivemos reuniões muito positivas. Estamos em diálogo com algumas regiões do Brasil para representá-las fora do país, principalmente na Europa, mas também em outros países da América Latina”, adiantou.
Ao mesmo tempo, a Aviareps mantém negociações com destinos internacionais interessados no mercado brasileiro. “Também estamos em diálogo constante com outros destinos que não são do Brasil e que podemos apoiar aqui, oferecendo nossos serviços.” A expansão da equipe da Aviareps, segundo Drechsler, está diretamente ligada ao crescimento da carteira de clientes. “Nosso foco principal é expandir o portfólio de clientes. A equipe cresce alinhada a essa expansão. Quando ampliamos os clientes, naturalmente ampliamos o time”, afirmou.
Ele destacou ainda a diversidade de serviços oferecidos pela Aviareps no país, incluindo projetos pontuais. “Um dos pontos fortes do Brasil é que oferecemos diferentes serviços aos clientes, muitos deles por projeto. Tivemos, por exemplo, uma reunião com o órgão nacional de turismo da Itália. Eles já têm equipe no Brasil, mas podem precisar de apoio em projetos, como eventos de mídia ou ações com o trade.”
Drechsler enfatizou que esse modelo ainda é pouco compreendido por potenciais parceiros. “Muitos não entendem que não trabalhamos apenas com contratos completos de longo prazo, mas também com serviços por projeto, o que é um elemento importante da nossa atuação”, ressaltou.
A relevância do trade turístico foi outro ponto abordado. “Somos uma empresa global, mas oferecemos serviços apenas para companhias aéreas e clientes do turismo. Esses clientes podem ser destinos, órgãos nacionais de turismo, regiões como Visit Florida, companhias de cruzeiro, locadoras de veículos. O trade tem um papel muito importante, no Brasil e no mundo. Não poderíamos operar sem o trade”, reforçou.
Sobre dados e projeções, o executivo indicou que a empresa possui acesso a informações amplas, mas evitou previsões detalhadas. “Temos muitos dados, inclusive por trabalhar com companhias aéreas e com nossas próprias bases internas, como um banco global com mais de meio milhão de contatos do trade. Mas é muito difícil fazer previsões no momento”, disse o CCO.
Ele citou o cenário geopolítico como fator de incerteza. “Olhando para a situação no Oriente Médio, com hubs como Dubai, Abu Dhabi e Qatar sem operar há mais de um mês, já vemos uma mudança de fluxo para outras regiões. A América Latina pode ser uma das regiões que se beneficiam dessa situação”, afirmou.
A atuação global da empresa também expõe diferentes escritórios aos impactos dessas mudanças. “Trabalhamos com clientes de várias partes do mundo. Em um país, atuamos com Dubai; em outro, com Abu Dhabi; em outro, com Qatar; além de companhias aéreas da região. De certa forma, todos os nossos escritórios são afetados.”
Ele também indicou possíveis mudanças no comportamento do viajante internacional. “Pode haver mais pessoas viajando dentro da América Latina ou da Europa para a América Latina, já que podem evitar outros destinos neste momento.”







