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Projeto em Florença prevê terminal internacional integrado a vinhedo suspenso (Reprodução/Rafael Viñoly Architects)

O Aeroporto Amerigo Vespucci, principal aeroporto da região da Toscana, na Itália, poderá ganhar um novo terminal internacional coberto por um vinhedo suspenso. A proposta faz parte de um projeto de reformulação do aeroporto de Florença apresentado pelo escritório Rafael Viñoly Architects, fundado pelo arquiteto uruguaio Rafael Viñoly.

O novo terminal é planejado para ampliar a capacidade operacional do aeroporto e incorporar soluções voltadas à sustentabilidade e à integração com a paisagem da Toscana, região conhecida mundialmente pela produção de vinho. O projeto prevê uma área total de 50 mil metros quadrados e capacidade para receber até 5,9 milhões de passageiros internacionais por ano.

Entre os principais elementos da proposta está um vinhedo de 7,7 hectares instalado sobre a cobertura do terminal. Segundo os arquitetos responsáveis, o conceito busca reproduzir a paisagem típica da Toscana, elevando o vinhedo do solo e posicionando o aeroporto abaixo da plantação. O projeto prevê 38 fileiras de videiras distribuídas ao longo da cobertura do edifício. Além da função paisagística, as vinhas também deverão atuar como mecanismo de isolamento térmico da estrutura aeroportuária. De acordo com o escritório, o cultivo e a colheita das videiras deverão ser realizados por um produtor local, embora ainda não exista definição oficial sobre qual viticultor ficará responsável pela operação agrícola.

Aeroporto de Florença aposta em sustentabilidade e vinho

A proposta também inclui a instalação de claraboias de 1,2 metro de largura para permitir a entrada de luz natural no interior do terminal. O projeto incorpora ainda painéis solares e sistemas fotovoltaicos para geração de energia. Em entrevista à CNN Travel, Román Viñoly, diretor da Rafael Viñoly Architects, explica que os painéis são fundamentais para reduzir o consumo energético do terminal durante o dia e fortalecer a integração visual entre passageiros e o vinhedo instalado sobre o edifício. Segundo ele, o projeto também busca criar uma nova relação entre aeroportos e o território onde estão inseridos.

Há, porém, uma adaptação importante relacionada à segurança operacional do aeroporto. De acordo com Román Viñoly, o telhado deverá ser coberto principalmente por videiras sem produção de uvas, devido ao risco de danos provocados por objetos estranhos aos motores das aeronaves. Assim, as uvas destinadas à produção de vinho deverão ser cultivadas em áreas ajardinadas ao redor do terminal. A ideia é que o vinho seja produzido e envelhecido no próprio local. O diretor relata que o projeto passa por estudos realizados em conjunto com produtores rurais e engenheiros agrícolas. Segundo ele, a distância aproximada de 500 metros entre o terminal e as aeronaves deve impedir que eventuais poluentes afetem a qualidade da produção vinícola.

A reformulação do aeroporto não se limita ao terminal e ao vinhedo suspenso. O projeto também prevê mudanças estruturais na pista do aeroporto, considerada limitada para a operação de aeronaves modernas. Atualmente, a pista do aeroporto de Florença é apontada como curta e impactada pela proximidade de morros da região. Com a nova proposta, a pista deverá ser ampliada e rotacionada em 90 graus em relação às colinas do entorno.

Segundo os arquitetos, essa mudança permitirá ampliar a capacidade operacional do aeroporto e melhorar as condições de pouso e decolagem para aeronaves de maior porte utilizadas em rotas internacionais. Outro ponto previsto no projeto envolve a reorganização do fluxo de passageiros dentro do terminal. As áreas de embarque e desembarque deverão ficar posicionadas frente a frente, em uma configuração inspirada em uma “Piazza”, conceito tradicional das praças italianas.

De acordo com o escritório de arquitetura, a proposta cria um modelo de circulação mais intuitivo para os passageiros. “Essa configuração cria um modelo de fluxo de passageiros sempre muito claro, pois permite que mantenham uma conexão visual com seu destino”, informa o escritório.

O projeto do novo terminal foi anunciado oficialmente em janeiro de 2024. Segundo informações divulgadas, as obras deverão ocorrer em duas etapas. Uma das fases estava prevista para começar ainda este ano, mas o cronograma enfrenta atrasos. A previsão atual é que a etapa final seja concluída em 2035.

A proposta do aeroporto de Florença integra uma tendência internacional de projetos aeroportuários voltados à sustentabilidade e à redução do impacto ambiental. Nos últimos anos, aeroportos em diferentes regiões do mundo têm ampliado investimentos em geração de energia renovável, eficiência energética, reaproveitamento de água e integração arquitetônica com o território local.

O escritório Rafael Viñoly Architects possui experiência em projetos de infraestrutura e arquitetura em diferentes países. Entre as obras assinadas pelo fundador Rafael Viñoly estão o Aeroporto Internacional de Carrasco, a Ponte Laguna Garzón e o edifício localizado na 20 Fenchurch Street, em Londres, conhecido popularmente como “Walkie Talkie” por conta do formato da construção. Segundo Román Viñoly, a expectativa é que o projeto incentive outros aeroportos a incorporar medidas mais consistentes relacionadas à sustentabilidade e ao uso do espaço urbano. O diretor também argumenta que aeroportos podem deixar de funcionar apenas como locais de passagem e se transformar em parte da experiência do destino visitado.

A Toscana é uma das regiões mais procuradas da Itália por turistas internacionais interessados em gastronomia, vinhos, patrimônio histórico e turismo rural. Florença, capital da região, concentra alguns dos principais atrativos culturais do país e funciona como porta de entrada para cidades e vinhedos do interior toscano. Nesse contexto, o projeto do novo terminal busca aproximar a experiência aeroportuária da identidade cultural e produtiva da região, utilizando elementos ligados diretamente à tradição vinícola local.

*Com informações da CNN Travel