
SÃO PAULO – Os eventos corporativos deixaram de ser apenas encontros para relacionamento e passaram a ocupar uma posição estratégica dentro das empresas. Essa foi a principal mensagem do painel “O que torna um evento verdadeiramente estratégico para o negócio?”, realizado durante a primeira edição do Fórum MICE Abracorp.
Ao longo da conversa, Amanda Moraes, do Aché Laboratórios; Andreia Gonçalves, da Hypera Pharma; Juliana Patti, da JP Advisory; e Rodolfo Costa, da Danone; compartilharam experiências e boas práticas para transformar eventos em ferramentas capazes de gerar resultados concretos para os negócios.
Confira os principais aprendizados do debate:
1. O gestor de eventos precisa atuar de forma estratégica
Mais do que garantir uma boa execução, o profissional de eventos deve compreender os objetivos do negócio, participar das decisões e conquistar espaço junto à liderança. Os especialistas destacaram que, embora a operação faça parte da rotina, ela não pode definir o papel do gestor dentro das organizações.
2. Equilibrar diferentes interesses faz parte do trabalho
Eventos reúnem diversos stakeholders, como patrocinadores, áreas de negócio, fornecedores e participantes, cada um com expectativas próprias. O desafio é encontrar equilíbrio entre essas demandas, garantindo que todos alcancem seus objetivos sem comprometer a experiência do público.
3. Objetividade é essencial para ganhar espaço na liderança
Ao apresentar projetos para executivos, vale investir em apresentações curtas, compartilhar materiais previamente e conduzir reuniões focadas nas decisões que precisam ser tomadas. Fazer as perguntas certas e construir alianças dentro da empresa também fortalece a área de eventos.
4. Um evento não deve ser medido apenas pelo NPS
Indicadores tradicionais, como satisfação dos participantes e taxa de comparecimento, continuam importantes, mas não são suficientes. Os painelistas defenderam uma avaliação mais estratégica, considerando se o público presente era o perfil esperado, se os objetivos do evento foram atingidos e se houve impacto real sobre os participantes.
5. Demonstrar retorno sobre o investimento é cada vez mais importante
Além do ROI financeiro, empresas têm buscado indicadores relacionados à geração de leads, fortalecimento da marca, engajamento, alcance das mensagens e mudanças de comportamento do público. A capacidade de demonstrar esses resultados tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
6. Os erros também geram aprendizados valiosos
Os participantes compartilharam exemplos de desafios enfrentados em eventos, como problemas de logística e controle de público. A principal lição foi a importância de revisar processos, identificar falhas e aplicar os aprendizados nas próximas edições.
7. Agências precisam atuar como consultoras, não apenas executoras
Segundo os especialistas, os fornecedores que mais agregam valor são aqueles capazes de desafiar o briefing, antecipar riscos, sugerir soluções e aplicar inteligência de mercado. A expectativa é que as agências participem da construção da estratégia, e não apenas da execução do evento.
8. Feedback fortalece a relação com fornecedores
O debate também destacou a importância de as empresas compartilharem feedbacks estruturados após concorrências e projetos realizados. Esse retorno contribui para o aprimoramento dos fornecedores e fortalece relações de longo prazo entre clientes e parceiros.
9. Dados ajudam a personalizar experiências
Cada vez mais, decisões relacionadas aos eventos são orientadas por dados. Além de medir resultados, essas informações permitem personalizar experiências, entender melhor o comportamento do público e construir comunidades que permaneçam engajadas mesmo após o encerramento do evento.
10. Tecnologia é tendência, mas estratégia continua sendo prioridade
Os painelistas apontaram que inteligência artificial, novos formatos de interação e experiências mais personalizadas devem marcar o futuro dos eventos corporativos. No entanto, reforçaram que nenhuma inovação substitui um planejamento consistente, objetivos bem definidos e alinhamento com a estratégia do negócio.
Para os participantes do painel, o futuro da gestão de eventos passa menos pela execução operacional e mais pela capacidade de conectar pessoas, dados, estratégia e resultados. Nesse cenário, eventos deixam de ser apenas encontros presenciais e se consolidam como ferramentas capazes de fortalecer marcas, impulsionar negócios e gerar valor para as organizações.







