Setor de fidelidade cresce no Brasil e deve alcançar US$ 3,33 bilhões até 2029
Fábio Lacerda, head de Desenvolvimento de Negócios da Dragonpass para a América Latina (Divulgação)

O mercado brasileiro de fidelidade está passando por uma transformação acelerada, impulsionado pela digitalização, por recompensas cada vez mais personalizadas e pelo comportamento de consumidores cada vez mais conectados.

De acordo com pesquisa da Research and Markets, o setor deve movimentar US$ 1,95 bilhão ainda este ano, com uma taxa de crescimento anual de 16,9%. A estimativa é que esse número chegue a US$ 3,33 bilhões até 2029, refletindo a consolidação dos programas de fidelidade como ferramenta estratégica para empresas de diversos setores.

O cenário atual combina grandes players com um número crescente de programas de nicho oferecidos por varejistas, fintechs, companhias aéreas e bancos. Esse ecossistema competitivo tem impulsionado a inovação, com soluções voltadas à praticidade, ao uso em tempo real e à integração com o cotidiano do consumidor.

A pesquisa mostra que os consumidores brasileiros estão cada vez mais motivados por recompensas personalizadas, experiências únicas e benefícios de fácil acesso. A integração de ferramentas como o Pix aos programas de fidelidade, por exemplo, revolucionou a forma como pontos e vantagens são acumulados e resgatados. Aplicativos móveis, carteiras digitais e modelos de coalizão também têm ganhado espaço, especialmente entre millennials e a geração Z.

Crescimento e projeção

De 2020 a 2024, o setor cresceu a uma taxa média de 19,1% ao ano. Para o período de 2025 a 2029, a projeção é de crescimento anual de 14,3%. A expansão é impulsionada pela popularização das plataformas digitais, pela valorização das experiências e pela atuação cada vez mais estratégica de empresas dos setores de varejo, turismo, serviços financeiros e e-commerce.

Para Fábio Lacerda, head de Desenvolvimento de Negócios da Dragonpass para a América Latina, o avanço dos programas de fidelidade é um dos motores desse crescimento. Segundo dados da ABEMF, compartilhados pelo executivo, o Brasil registrou em 2024 mais de 332 milhões de cadastros ativos nesses programas, com uma movimentação de R$ 21,9 bilhões. “Mais de 70% dos resgates são feitos em passagens aéreas, o que reforça o perfil viajante dos usuários. Esse comportamento torna ainda mais relevante oferecer benefícios diretamente ligados à jornada, como o acesso à Sala VIP nos aeroportos”, afirma.

Apesar da adesão crescente, a lealdade não é garantida

Consumidores demonstram disposição para migrar entre programas caso encontrem benefícios mais relevantes ou jornadas mais fluídas. Essa tendência é ainda mais evidente entre os mais jovens, que priorizam conveniência, inovação e conexão emocional com as marcas.

O mercado brasileiro de fidelidade reflete uma mudança global: saem de cena os programas engessados e entram soluções flexíveis, digitais e centradas no cliente.