
O modelo de benefícios corporativos no Brasil passa por uma fase de transição. Se antes os pacotes oferecidos pelas empresas se concentravam em itens básicos, hoje ganham espaço iniciativas ligadas à experiência, ao bem-estar e à qualidade de vida. Apesar desse movimento, 4 em cada 10 organizações reconhecem que ainda não estão totalmente preparadas para atender às novas expectativas dos colaboradores.
Os dados fazem parte da primeira edição da Pesquisa Nacional sobre Benefícios Corporativos, realizada pela Onhappy, empresa de benefícios corporativos de viagens a lazer da Onfly. O levantamento ouviu mais de 700 profissionais de Recursos Humanos em 2025 e mapeou as principais tendências e desafios do setor.
Entre as prioridades para os próximos anos, a saúde mental aparece em primeiro lugar: 88% dos entrevistados afirmam que o tema deve ganhar ainda mais relevância nas estratégias de benefícios. A mudança reflete transformações recentes no ambiente de trabalho e na relação entre empresas e colaboradores.
“A promessa de valor entre empregadores e colaboradores foi remodelada pela experiência global dos últimos anos. A moeda de troca padrão – um salário fixo por horas dedicadas – não é mais suficiente para garantir lealdade e produtividade. Hoje, os trabalhadores olham com mais atenção para outros tipos de benefício, como saúde e bem-estar”, afirma Gian Farinelli, CEO da Onhappy.
Benefícios tradicionais ainda predominam
Mesmo com o avanço de novas demandas, os benefícios tradicionais continuam amplamente consolidados. Segundo o estudo, 88% das empresas oferecem vale-transporte, alimentação e refeição, enquanto 83% disponibilizam planos de saúde e/ou odontológico. Nove em cada dez organizações mantêm esse pacote considerado básico no mercado, e cerca de um terço estende esses benefícios aos familiares dos colaboradores.
Ao mesmo tempo, cresce a presença de iniciativas voltadas ao bem-estar e ao desenvolvimento. Benefícios como academia e terapia já estão presentes em 59% das empresas, e ações de educação, como cursos e bolsas, aparecem em 52% dos pacotes analisados.
Outras modalidades também surgem com menor adesão, mas indicam diversificação: folgas adicionais (39%), diferentes tipos de auxílios (21%) e benefícios relacionados a viagens (12%).
Lazer e turismo como tendência
Embora ainda restritos a uma parcela menor das empresas, os benefícios ligados a viagens a lazer tendem a ganhar espaço. Atualmente, 12% das organizações investem nesse tipo de iniciativa, mas 42% dos profissionais de RH apontam o tema como prioridade estratégica para 2026.
Segundo a pesquisa, o dado sinaliza que descanso e tempo de qualidade passam a ser considerados fatores relevantes para engajamento e produtividade, dentro de uma visão mais ampla de bem-estar corporativo.
Equilíbrio financeiro é desafio
O levantamento também evidencia a necessidade de equilibrar custo e abrangência. Uma em cada cinco empresas reconhece que precisa revisar seu pacote de benefícios.
Enquanto 48,7% dos entrevistados afirmam que suas organizações oferecem benefícios sem custo ou com baixa coparticipação, incluindo dependentes, 22,4% relatam enfrentar dificuldades financeiras para sustentar modelos mais amplos.
O cenário indica que, além de diversificar as ofertas, as empresas precisam avaliar sustentabilidade e impacto das iniciativas adotadas. A pesquisa mostra que o debate sobre benefícios corporativos no Brasil avança para além do pacote tradicional, mas ainda enfrenta desafios estruturais e financeiros para acompanhar as novas demandas do mercado de trabalho.







