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Ataque à Booking expõe dados e eleva risco de fraudes digitais personalizadas a viajantes (Divulgação/Booking)

A Booking.com confirmou nesta segunda-feira (13) que sofreu um ataque cibernético que permitiu o acesso não autorizado a informações de reservas de clientes em sua plataforma, que reúne mais de 30 milhões de acomodações no mundo.

Em comunicado, a empresa afirmou que “notou alguma atividade suspeita envolvendo terceiros não autorizados sendo capazes de acessar algumas das informações de reserva” e que agiu rapidamente para conter o problema. “Assim que tomamos conhecimento da situação, agimos rapidamente. Atualizamos o número PIN dessas reservas e informamos os viajantes”, disse a companhia em nota ao Poder 360.

A empresa não informou o número de usuários afetados, mas reforçou que “informações financeiras não foram acessadas” e que “endereços residenciais não foram expostos”. Ainda assim, clientes impactados receberam comunicações alertando sobre o acesso a “certas informações” ligadas a reservas anteriores.

Embora o incidente não envolva dados bancários, especialistas apontam que o tipo de informação exposta, como nomes, e-mails, telefones e detalhes de viagens, representa um risco significativo. Isso porque esses dados permitem a criação de golpes altamente personalizados.

“Quando um criminoso tem acesso ao histórico de uma reserva, ele não faz um golpe genérico. Ele fala exatamente com aquele viajante, sobre aquela viagem, no momento certo. Isso muda completamente o nível de risco”, afirma a especialista em gestão de riscos em viagens Patrícia Bastos.

Esse cenário marca uma mudança no perfil das fraudes digitais, que deixam de ser massivas e passam a ser direcionadas. “O phishing deixou de ser genérico. Hoje é um contato bem construído, com dados reais e enviado no momento certo”, explicou Lucas Paglia, especialista em comportamento digital e segurança da informação.

Para Marcio Verderio Tahan, o caso evidencia fragilidades estruturais do turismo digital. “Essas plataformas concentram um volume enorme de dados sensíveis e operam em redes complexas. Uma falha em qualquer ponto da cadeia pode afetar milhares de usuários”, afirmou.

Segundo ele, o problema vai além da invasão em si. “O criminoso não precisa acessar tudo. Ele precisa de informação suficiente para parecer legítimo. E isso hoje é relativamente simples de obter”.

Diante desse cenário, especialistas alertam que o comportamento do usuário passa a ser peça-chave na prevenção de fraudes. “Hoje, o ativo mais valioso para um fraudador não é o cartão de crédito, mas o contexto. Saber para onde a pessoa vai e quando viaja permite construir uma abordagem extremamente convincente”, acrescentou Paglia.

A própria Booking.com orientou seus clientes a redobrarem a atenção, especialmente com mensagens que solicitem informações ou pagamentos fora dos canais oficiais. O episódio reforça uma mudança no turismo global: viajar, agora, também exige atenção constante à segurança digital.