CEO da Book2Pay rebate especulações sobre vínculo com empresa de Renato Kido, da ViagensPromo
Fabio Bordin é CEO da empresa de tecnologia Book2Pay (Divulgação/Arquivo pessoal)

Na última sexta-feira (14) surgiram novas especulações sobre um possível retorno de Renato Kido, da ViagensPromo, ao turismo. Desta vez, prints e documentos com dados empresariais começaram a circular, principalmente pelo Instagram e WhatsApp, vinculando o nome da Book2Pay com o fundador da operadora.

Quem é Renato Kido e por que seu nome voltou a ser comentado?

Renato Kido foi o fundador e CEO da ViagensPromo, uma operadora de turismo que ganhou relevância no setor, mas que enfrentou sérios problemas financeiros e uma crise pública que afetou agências e clientes no início deste ano. Desde então, seu nome passou a ser envolvido em debates, críticas e incertezas sobre sua atuação no mercado.

Em entrevista mais recente a outro portal, o advogado de Renato Kido comentou sobre possíveis participações de Kido em outras empresas. Ao ser questionado se estaria retornando ao setor através de outros CNPJ’s, o próprio Kido respondeu que não tinha “a menor cabeça para isso”. Seu advogado, no entanto, afirmou que o que estava sendo especulado não passavam de “boatos vazios e ridículos”, mas reforçou que o fundador da ViagensPromo, como profissional, não estaria impedido de prestar consultoria para outras empresas.

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É desnecessário dizer que qualquer movimentação envolvendo pessoas que trabalharam com ele ou empresas cujo CNPJ se assemelha ao seu foram suficiente para gerar rumores sobre um possível “retorno” ao turismo, mesmo sem qualquer confirmação.

A origem dos boatos envolvendo a Book2Pay

O gatilho para as especulações mais recentes foi um story publicado por Fabio Bordin, CEO da Book2Pay, no qual ele aparece ao lado de um fornecedor e de Valter Onishi, ex-gerente comercial da ViagensPromo.

Tudo começou por causa de um story onde Fabio Bordin, CEO da Book2Pay, posa ao lado de um fornecedor e o ex-gerente comercial da ViagensPromo, Valter Onishi.

CEO da Book2Pay rebate especulações sobre vínculo com empresa de Renato Kido, da ViagensPromo
Print da rede social de Fabio Bordin (reprodução/Instagram)

A partir dessa imagem, profissionais do setor passaram a afirmar que o ex-CEO da VP estaria usando a Book2Pay para retornar ao mercado. Para reforçar essas suspeitas, prints de consultas empresariais começaram a circular, mostrando um CNPJ com o nome de Renato Kido vinculado a uma empresa de tecnologia, cujo nome seria semelhante ao da Book2Pay, conforme apresenta o print abaixo:

CEO da Book2Pay rebate especulações sobre vínculo com empresa de Renato Kido, da ViagensPromo
Print dos dados empresariais com nome de Renato Kido (reprodução)

Para entender o que e se de fato há alguma relação entre os nomes e empresas, o Mercado & Eventos entrou em contato com o CEO da Book2Pay para saber mais sobre a relação (e se há alguma) entre as empresas. Fabio Bordin prontamente nos atendeu. Confira a entrevista completa abaixo:

M&E – Qual a sua participação na Book2Pay?

Fabio Bordin – A book2pay.com.br é minha, registrada no meu CNPJ. A empresa pertence à Jumpy, que também é de minha propriedade e está registrada há muitos anos. Se analisarem o CNPJ que está circulando, perceberão que ele é meu.

CEO da Book2Pay rebate especulações sobre vínculo com empresa de Renato Kido, da ViagensPromo
Dados da Book2Pay, fornecidas por Bordin (Divulgação)

Recebi os prints, está uma loucura! Nunca ganhei tantos seguidores no Instagram. Mas, pelo amor de Deus, não confundam uma coisa com a outra. A marca eu comprei. O CNPJ foi transferido para o meu nome, era de uma empresa de tecnologia. Sou investidor em tecnologia. Quem entrar no meu LinkedIn vai entender o que eu faço. A book2pay.com.br é totalmente minha, 100% dentro do meu quadro de investimentos.

M&E – Esses boatos, então, que estão circulando nas redes sociais tem alguma ligação com você ou com a Book2Pay?

Fabio Bordin – Nenhuma. Estou em choque com esses boatos. Ninguém me ligou para perguntar de quem é o CNPJ. O que estão causando com base em rumores é muito grave. Não publiquem informações falsas. Isso custa caro. Estou à disposição para qualquer esclarecimento. Não tenho qualquer relação profissional com ninguém citado nesses boatos.

Outro ponto: estão agredindo verbalmente colaboradores que vieram da outra empresa muito falada no momento. Onde estão os outros 200 colaboradores daquela empresa? Estão todos desempregados? Outras empresas também contrataram funcionários e não sofreram ataques. O que está circulando são boatos, mas tudo está registrado. Se minha imagem ou minha empresa sofrerem danos, alguém vai ter que responder.

M&E – Um dos prints que o M&E teve acesso diz: ‘Tem profissional que ama quebrar operadoras! Já já saberão que ele está de volta’. A foto com Valter Onishi teria alimentado essa interpretação.

Fabio Bordin – Conheço o Kido há 20 anos. Não é porque conheço alguém que automaticamente tenho vínculo profissional com ele. Ser amigo de alguém que teve problemas não é crime. Basta olhar o histórico do CNPJ: não há relação alguma com o Kido. E mesmo que no passado houvesse, o que não existe, eu teria comprado a empresa. Era uma empresa de tecnologia que me interessou porque já desenvolvia uma plataforma.

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M&E – Ter o Onishi na sua empresa pode ser interpretado como conivência com atitudes do Kido?

Fabio Bordin – Eu escolhi o melhor cara de venda do mercado para trabalhar comigo, que estava em casa abalado esperando para voltar. Hoje eu vejo ele feliz. Eu assumi o risco ao contratar o Onishi, de ter que responder algumas coisas. Mas, pela capacidade, pelo que eu acredito nele e na equipe que eu estou trazendo, que eu estou montando, eu não tenho dúvida que vale comprar essas brigas porque conivência ou não conivência é uma palavra forte.

Eu acho que quando uma empresa tem um dono, a responsabilidade passa a ser dele. E eu como dono, qualquer ação que eu faça, eu me coloco como responsável, nunca alguém do meu time. Acho que as pessoas não merecem sofrer por erros cometidos, seja por ela ou por terceiros. Eu acho que todo mundo tem o direito de dar a volta por cima. E esse é o meu papel hoje, trazendo o Onishi para dentro da operação.

M&E – A empresa de advocacia que representa o Renato Kido hoje tem o mesmo CNPJ de onde está o CNPJ da Book2Pay. Poderia explicar essa conexão?

Fabio Bordin – O advogado que está representando o Kido, não atende só o Kido. Mas sim, inúmeras empresas de turismo. Eles tem a empresa Smart, uma empresa de tecnologia. Este advogado trabalha com tecnologia há muitos anos. E essa empresa Smart era dona da marca do CNPJ, e foi da Smart que eu comprei. E isso está lá no contrato social, não tem nada escondido. Está lá ‘Smart Tecnologia’. Foi com ele que eu negociei. E ele que transferiu para mim na compra.

M&E – Você já tinha essa ideia de criar uma ferramenta de pagamento para o B2B?

Fabio Bordin – Na verdade, a Jumpy começa com o B2C. E aí, quando começam a acontecer, no ano passado, mais casos graves de operadoras, como 123Milhas, Hurb, e esse ano o caso da VP, enxerguei a oportunidade para entrar no mercado B2B. Se eu já estou fazendo algo para o B2C, eu apenas enxerguei uma oportunidade de entrar num mercado. A Jumpy não entrou em operação porque eu segurei. Eu resolvi entrar no B2B primeiro.

M&E – Qual a história da Book2Pay?

Fabio Bordin – Estamos preparando para o mês que vem bastante coisa da Book2Pay para a entrada no mercado. A Book2Pay será uma intermediadora que fará o repasse aos fornecedores sete dias após a venda ao cliente. Queremos realmente começar a botar no mercado, mas ela tem que estar no momento certo para fazer essa virada. O momento é primeiro de tirar essa imagem que esses boatos criaram, totalmente desconectada. Não é só falar agora de coisa boa no meio, porque isso se perde. Eu preciso primeiro limpar a casa. Eu estou falando com todos os fornecedores, estou falando com um monte de gente. Então, não é um segredo.

M&E – Vocês decidiram já colocar alguns conteúdos sobre a empresa nas redes sociais. Seria uma estratégia para fazer uma movimentação e chamar a atenção do mercado?

Fabio Bordin – Se nós olharmos numa estrutura normal de lançamento de produto, nós deveríamos ter começado muito antes. Só que como eu dependo muito de tecnologia, e a gente sabe que a tecnologia nem sempre anda na mesma velocidade em relação a prazo, eu segurei ao máximo. Então, quando eu comecei a me comunicar com fornecedores, percebi que eu precisava que as pessoas encontrassem a gente em algum lugar.

M&E – E a parte de marketing da Book2Pay, é de vocês ou terceirizada?

Fabio Bordin – Eu tenho uma equipe aqui no meu escritório de Gramado, uma equipe que atende todos os meus negócios, e atende as duas empresas também. Uma equipe de marketing tanto de tráfego, de rede social. Apenas a assessoria de imprensa que é de São Paulo.

M&E – Durante a criação da empresa, você passou por algum processo de consultoria? Houveram outros envolvidos?

Fabio Bordin – Enxergo essa dor no mercado há muitos anos. Desde a época do meu receptivo, há 20 ou 25 anos, quando eu já enfrentava as mesmas dificuldades. Tenho muita história. Parece que, quando surge uma boa ideia, muitos pensam que não pode ser nossa, tem que ser de outra pessoa.

Bordin afirma estar focado no lançamento da plataforma e na reconstrução da imagem afetada pelos boatos, reiterando que todas as informações sobre a empresa estão disponíveis de forma transparente.