
Entre os diversos depoimentos recebidos pelo M&E, destacam-se relatos que revelam não apenas o prejuízo financeiro, mas também o impacto humano e emocional que a crise da ViagensPromo causou no trade.
Um deles é de Sayure Mendonça, agente de viagens e proprietária da SimBora Viagens e Turismo (MS). Segundo ela, mais de 24 contratos foram afetados, somando perdas superiores a R$ 60 mil em hospedagens e transfers cancelados por falta de pagamento da operadora aos fornecedores, apesar dos pacotes já quitados pelos passageiros.
Os meses de março e abril foram descritos como os mais críticos: “Clientes chegavam ao destino sem acomodação, sem transfer, e me cobravam reembolso imediato. A ViagensPromo sumiu: não atendia ligações, ignorava e-mails e não dava qualquer resposta concreta”.
O peso emocional levou Sayure a procurar atendimento médico de urgência. “Meu corpo entrou em colapso. Precisei de acompanhamento no CAPS, fui diagnosticada com ansiedade severa e depressão profunda. Cogitei tirar minha própria vida. Estava sem capital de giro, recém-iniciada no empreendedorismo e completamente sem suporte da operadora que deveria ser minha parceira”, desabafa.
Ela relata que passou noites sem dormir, enfrentou insegurança e processos judiciais movidos por clientes contra sua agência, mesmo atuando apenas como intermediária. Até hoje, não recebeu devoluções ou prazos claros de reembolso. “Dou este depoimento para alertar outros profissionais e consumidores, e na esperança de que a justiça seja feita. Que ninguém mais precise passar pelo que enfrentamos”, concluiu.
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Descaso até nas raras respostas! De acordo com uma outra agente de viagem lesada pelo rombo da VP, Kido chegou a responder, mas não dá forma como se esperava. “Meu prejuízo foi de R$ 27 mil, alguns pagos à vista para a VP e nunca mencionados nas falas de Kido. Quando cobrei uma reserva em Balneário Camboriú, ele simplesmente respondeu: ‘paga aí, estou em reunião’“, revelou Floris Chieregatti, da Vero Viagens.
Outro relato veio de um ex-colaborador da ViagensPromo, que pediu anonimato. Ele rejeitou com veemência as declarações recentes de Renato Kido e de seu advogado. “É calunioso e vexatório dizer que Kido foi mal assessorado pela equipe. As decisões sempre foram tomadas exclusivamente por ele. Ignorou alertas feitos desde novembro de 2024 sobre a situação financeira da companhia e coagiu colaboradores que buscavam novas oportunidades diante da crise”, relata.
Segundo esse ex-funcionário, Kido manipulava sua equipe pedindo confiança e prometendo a chegada de investimentos, ao mesmo tempo em que exigia aumento nas vendas para gerar caixa, mesmo já sem condições de honrar reservas. “Muitos ficaram até o fim sem receber salários de janeiro, fevereiro e março. Ao se colocar como vítima, Kido desrespeita o esforço de colaboradores experientes, que tiveram sua credibilidade colocada em xeque no mercado”, completa.
Também se manifestou o agente de viagens Victor Bortolotti, da Libra Viagens (SP), que expressou revolta ao ver Renato Kido reaparecer publicamente. “Foi de profunda indignação. Ele distorce os fatos ao dizer que 60% dos casos foram resolvidos, quando a realidade é totalmente diferente. Tenho colegas de todo o Brasil que entraram na Justiça e relatam que Kido nunca compareceu às audiências. O suporte prestado foi inexistente, e continua sendo. Essa entrevista não passou de um teatro, um movimento vazio”.
Victor relata ter sofrido prejuízo superior a R$ 40 mil em seis reservas, sem qualquer apoio da ViagensPromo. Para honrar os compromissos com seus clientes, precisou contrair empréstimos e segue pagando parcelas até agosto de 2026. “O impacto financeiro foi devastador, mas o desgaste emocional foi ainda pior. Vi colegas fecharem agências, perderem credibilidade e até adoecerem diante da pressão. Estamos falando de uma destruição em cadeia no setor”.
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Ele conclui pedindo responsabilização: “Renato não deveria ter espaço na mídia, a não ser para apresentar soluções concretas e aplicadas. É vergonhoso que, diante de tantos prejuízos, ele ainda apareça publicamente sem assumir responsabilidades reais”.
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