
Viajar de trem está deixando de ser coadjuvante no roteiro do brasileiro. De olho nesse movimento, a RailClick, plataforma global dedicada à venda de bilhetes ferroviários, fechou parceria com a BeFly para ampliar a presença das viagens de trem internacionais no mercado nacional. A proposta é clara: facilitar o acesso a rotas, principalmente na Europa, e transformar o trajeto em parte central da experiência.
O acordo prevê a integração do sistema white label da RailClick ao ecossistema da BeFly, por meio das marcas FBT e Belvitur. Na prática, as agências ligadas ao grupo passam a emitir bilhetes de trem internacionais com mais agilidade e acesso a diferentes operadoras em uma única plataforma.
A movimentação acontece em um momento em que o viajante busca alternativas ao transporte aéreo em trechos curtos na Europa. Conforto, praticidade e menor impacto ambiental entram na conta. O trem, que já é protagonista em muitos países europeus, começa a ganhar espaço também no planejamento de quem sai do Brasil.
“Essa parceria nos permite apresentar ao viajante brasileiro um produto diferenciado, que combina tecnologia, curadoria e o prazer de viajar”, afirma Claudia Bischachin, gerente comercial e operacional para Brasil e América Latina da Interamerican Network, representante da RailClick no país.
Trem como produto estratégico nas agências de viagens
A BeFly, que reúne mais de 36 marcas em seu portfólio, passa a oferecer às agências conectadas ao grupo uma nova frente de vendas. O trem deixa de ser apenas complemento e passa a ser tratado como produto estratégico, principalmente em roteiros europeus que incluem múltiplas cidades.
Segundo Mauricio Martinelli, gerente de produtos terrestres da BeFly, a ideia é ampliar o acesso a esse tipo de deslocamento. “Viajar de trem é viver o caminho, não apenas o destino. É uma forma sustentável e autêntica de viajar. Ao integrar a RailClick ao nosso ecossistema, ampliamos o acesso dos brasileiros a esse tipo de experiência, com tecnologia, simplicidade e escala”, diz.
A RailClick reúne conexões com algumas das principais operadoras ferroviárias do mundo, como a Trenitalia, a Renfe e a Deutsche Bahn. Isso significa que o agente pode combinar diferentes trechos em um mesmo roteiro, com integração de tarifas e disponibilidade.
Além da Europa, a plataforma também vem ampliando rotas na Ásia e na América do Norte, acompanhando o crescimento da demanda por viagens ferroviárias em diferentes continentes.
Slow travel ganha força
O movimento também conversa com uma tendência clara no turismo: o chamado slow travel. Em vez de correr de aeroporto em aeroporto, o viajante opta por trajetos que permitem observar paisagens, chegar direto ao centro das cidades e reduzir etapas burocráticas.
Na Europa, por exemplo, é comum desembarcar no coração do destino, sem precisar de longos deslocamentos adicionais. Esse fator tem pesado na escolha do modal, especialmente entre quem quer otimizar tempo e viver a experiência de forma mais tranquila.
Para as agências, o trem pode representar uma nova fonte de receita e diferenciação. Em roteiros clássicos como Paris, Roma, Madri e Berlim, incluir o deslocamento ferroviário deixa de ser detalhe e passa a fazer parte da narrativa da viagem.
O que muda para o viajante brasileiro
Na prática, o consumidor final ganha mais opções e facilidade na hora de montar o roteiro. Com a integração ao sistema da RailClick, a emissão tende a ser mais simples para o agente e mais transparente para o cliente.
A aposta das empresas é que, ao enxergar o trem como parte da experiência, o brasileiro passe a considerar esse modal com mais frequência em viagens internacionais. O cenário é favorável: sustentabilidade, conforto e eficiência estão entre os critérios que mais influenciam decisões de compra no turismo atual.
Se antes o trem era lembrado apenas como alternativa, agora ele entra na conversa como protagonista. E, ao que tudo indica, essa mudança de trilho pode ganhar velocidade nos próximos anos.








