
A Airbus deu um passo importante rumo a uma nova era da aviação comercial ao concluir o primeiro voo de testes do A350-1000ULR, avião desenvolvido para operar as rotas mais longas do planeta sem necessidade de escalas. O voo experimental ocorreu nessa terça-feira (2), partindo e retornando à cidade de Toulouse, na França, e marcou o início da fase final de certificação do modelo que será utilizado pela companhia aérea australiana Qantas.
O teste durou 3 horas e 43 minutos e teve como principal objetivo validar sistemas operacionais da aeronave, incluindo a nova arquitetura de combustível responsável por ampliar significativamente sua autonomia. O avião alcançou mais de 41 mil pés de altitude, equivalente a aproximadamente 12,5 mil metros.
O projeto está diretamente ligado ao chamado Sunrise, iniciativa da Qantas que pretende conectar Sydney a cidades como Londres e Nova York em voos diretos que podem ultrapassar 20 horas de duração.
O que torna o avião A350-1000ULR diferente dos outros aviões?
O grande diferencial do avião está na capacidade de voar distâncias que atualmente exigem uma ou mais conexões. A sigla ULR significa Ultra Long Range, ou alcance ultralongo.
Para atingir esse desempenho, a Airbus desenvolveu modificações específicas sobre a plataforma do A350-1000 tradicional. Entre elas está a instalação de um tanque adicional com capacidade para cerca de 20 mil litros extras de combustível.
Com isso, a autonomia da aeronave aumenta em aproximadamente 1.800 quilômetros, permitindo percursos superiores a 18.500 quilômetros sem reabastecimento.
Atualmente, o voo comercial mais longo em operação liga Singapura a Nova York e percorre cerca de 15.350 quilômetros. A rota Sydney-Londres ultrapassará essa marca e deverá assumir o posto de ligação aérea regular mais extensa do planeta.
Primeiro teste abre campanha de certificação

Segundo a Airbus, os próximos dois meses serão dedicados a uma série de avaliações técnicas necessárias para que o modelo receba autorização das autoridades aeronáuticas.
Os testes incluem verificações relacionadas à eficiência dos sistemas de combustível, desempenho operacional, ventilação da cabine, controle de temperatura e funcionamento de novos equipamentos instalados a bordo.
Uma das novidades é um sistema de refrigeração redesenhado para as áreas de serviço da aeronave. A fabricante afirma que a solução é mais leve e eficiente, característica importante para operações de longa distância, onde cada quilo transportado impacta diretamente no consumo de combustível.
Projeto Sunrise quer eliminar escalas históricas
A Qantas foi a primeira companhia aérea a apostar no conceito e já encomendou 12 unidades do A350-1000ULR. A expectativa inicial era iniciar as operações em 2025. Entretanto, atrasos na produção e nos processos de certificação levaram ao adiamento do cronograma. A previsão atual aponta para a entrega da primeira aeronave em abril de 2027.
O nome Sunrise, ou nascer do sol, foi escolhido por um motivo curioso. Devido às diferenças de fuso horário entre a Austrália e outras regiões do mundo, passageiros poderão observar o amanhecer mais de uma vez durante a mesma viagem.
A proposta busca reduzir o tempo total gasto em deslocamentos internacionais, eliminando conexões que hoje são necessárias para alcançar determinados destinos.
Menos passageiros e mais espaço a bordo

Embora o A350-1000 tenha capacidade para transportar cerca de 300 passageiros em sua configuração convencional, a Qantas decidiu reduzir esse número para 238 assentos.
A estratégia busca oferecer maior conforto em jornadas que poderão durar até 22 horas. A distribuição será composta por:
Primeira Classe
A cabine terá apenas seis suítes privativas. Os espaços incluem poltrona reclinável, cama, televisão de 32 polegadas, guarda-roupa, áreas para armazenamento de objetos e ambiente destinado a refeições ou trabalho.
Classe Executiva
Serão 52 assentos com até dois metros de comprimento quando convertidos em cama. Os passageiros também terão acesso a carregamento sem fio para dispositivos eletrônicos, espaços individuais de armazenamento e portas deslizantes para maior privacidade.
Econômica Premium
A configuração contará com 40 assentos equipados com apoio para pernas, apoio para cabeça ajustável, compartimento pessoal e telas individuais de entretenimento de 13,3 polegadas.
Classe Econômica
Os 140 lugares da cabine principal terão espaço ampliado para as pernas, encostos ajustáveis para cabeça e sistema de entretenimento individual.
Área de bem-estar será novidade nos voos ultralongos
Entre os elementos mais diferentes do Projeto Sunrise está a criação de uma zona de bem-estar localizada entre as cabines. O espaço foi pensado para que os passageiros possam caminhar, alongar o corpo, se hidratar e realizar pequenas atividades físicas durante a viagem.
Especialistas em medicina do sono também participaram do desenvolvimento da experiência a bordo. O objetivo é minimizar os efeitos do jet lag por meio de estratégias envolvendo iluminação, horários das refeições e ritmo das atividades durante o voo.
Além disso, todos os passageiros terão acesso à internet Wi-Fi durante a operação.
Nova etapa da aviação comercial
O primeiro voo do A350-1000ULR representa mais do que um avanço tecnológico para a Airbus. O projeto simboliza uma tentativa da indústria aérea de encurtar distâncias globais sem aumentar o número de conexões.
Se os cronogramas forem cumpridos, passageiros poderão embarcar em Sydney e desembarcar em Londres ou Nova York sem trocar de aeronave, estabelecendo um novo capítulo para os voos de longa distância.
A expectativa agora está voltada para a campanha de certificação que ocorrerá ao longo dos próximos meses. Caso os resultados confirmem o desempenho esperado, o A350-1000ULR poderá assumir o posto de aeronave responsável pelas rotas comerciais mais longas já realizadas na história da aviação.
*Com informações de G1







