Aeroporto de Lisboa respira: tempo de espera nas fronteiras cai drasticamente após medidas de emergência
Após um dezembro caótico com filas de até sete horas, suspensão temporária do sistema biométrico e reforço policial devolvem fluidez ao desembarque no Humberto Delgado (Divulgação)

O cenário de “caos” que marcou as festas de fim de ano no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, parece estar finalmente a dar trégua aos passageiros. Após picos de espera que chegaram a atingir desoladoras sete horas em dezembro, o tempo máximo para ultrapassar o controlo de fronteiras baixou agora para a marca de uma hora. A melhoria, confirmada pela Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA), é o primeiro sinal positivo após um período crítico que colocou em xeque a imagem do turismo nacional.

A mudança no fluxo não é por acaso. O presidente da RENA, Paulo Geisler, aponta que a decisão do Governo português de suspender por três meses o novo sistema de entradas e saídas do espaço Schengen (EES) foi o principal “balão de oxigénio” para a operação. O sistema, que exige a recolha de dados biométricos, vinha causando estrangulamentos severos desde que começou a ser implementado de forma gradual em outubro passado.

Somado à suspensão, o reforço operacional foi imediato: desde o início desta semana, 24 militares da GNR passaram a apoiar o controlo de fronteiras, somando-se aos efetivos da PSP para garantir que mais postos de atendimento estejam abertos nos horários de pico.

Apesar do otimismo momentâneo, o setor aéreo mantém um tom de cautela. A suspensão do sistema EES tem data para acabar: 10 de abril de 2026. Até lá, Portugal corre contra o tempo para modernizar a infraestrutura. O Conselho de Ministros já autorizou um investimento de 7,5 milhões de euros para aumentar em 30% a capacidade de equipamentos de controlo, o limite máximo que o atual edifício do aeroporto comporta.

“As medidas surtiram efeito, sem dúvida nenhuma”, admite Geisler, ressalvando, porém, que é necessário que a concessionária ANA e o Governo proporcionem um acolhimento mais humanizado. A crítica foca-se na gestão de filas e na falta de conforto nas áreas de espera, que ainda deixam a desejar em termos de hospitalidade para quem acaba de aterrar em solo português.

Num esforço para aliviar a pressão estrutural, a ANA inaugura oficialmente nesta terça-feira as obras de ampliação do Terminal 2. Embora a intervenção seja vista como um passo positivo, a comunidade aeronáutica alerta que as condições ainda não são as ideais, mas representam um progresso necessário para evitar o colapso vivido no mês passado.

Para o passageiro que viaja nas próximas semanas, a recomendação permanece a de chegar com antecedência, mas o sentimento de quem atravessa a fronteira hoje é, pela primeira vez em meses, de alívio e normalidade.

Com informações de Eco Sapo