
A possível entrada da TAP Air Portugal no portfólio da Air France‑KLM ganhou novo destaque esta quinta-feira (19), quando o grupo franco-neerlandês apresentou resultados recordes de 2025 e voltou a comentar sua intenção no processo de privatização da companhia portuguesa. Caso vença a disputa em andamento, a TAP pode ocupar um “lugar central na organização do grupo”, admitiu o diretor financeiro da Air France-KLM, Steven Zaat, em Lisboa.
O encontro entre as duas gestões na semana passada, que culminou em uma conversa positiva com o board liderado por Luís Rodrigues, serviu para apresentar a atual estratégia da TAP e explorar eventuais sinergias. “Tudo se resume ao que a TAP quer ter, com que [condições] se sente confortável e com o que nós nos sentimos confortáveis”, afirmou Zaat.
Privatização entra na reta final com três candidaturas
O processo de privatização, que está em uma das suas etapas finais, envolve três grandes grupos europeus. Além da Air France-KLM, participam o grupo alemão Lufthansa e o International Airlines Group (IAG), controlador de Iberia e British Airways, todos selecionados pelo governo português para apresentar propostas não vinculativas até abril de 2026.
A privatização prevê a venda de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservados aos funcionários e o restante permanecendo sob controle estatal português. A Parpública, holding responsável pela operação, exige que os interessados demonstrem como pretendem fortalecer o hub de Lisboa e preservar a conectividade de longo curso, incluindo rotas estratégicas para América do Sul e África, além de critérios financeiros robustos.
O Parlamento português rejeitou recentemente uma proposta que poderia ter alterado o concurso da privatização, permitindo que o processo siga sem interrupções ou mudanças nos requisitos.
Condições, metas e complementaridade de rede
Questionado sobre o impacto que uma eventual aquisição teria nos objetivos de Air France-KLM — entre eles atingir uma margem operacional de 8% até 2028 — Zaat deixou claro que o grupo só investir em operações em que vê potencial claro de retorno. “Viram a margem da TAP nos últimos anos. Portanto, digamos que essa não é a nossa maior preocupação”, afirmou, citando o papel relevante da TAP na América do Sul. A integração ao grupo poderia, segundo ele, tornar a companhia portuguesa ainda mais forte.
O CEO do grupo, Benjamin Smith, complementou ao destacar que a rede atual da TAP é “muito complementar” à malha da Air France-KLM, sobretudo como ponto de acesso entre Europa e América Latina: “Ter um ponto de entrada na América Latina a partir da Península Ibérica estrategicamente seria ótimo para nós”.
Contexto operacional e perspectivas de mercado
Os comentários sobre a privatização foram feitos durante a conferência de apresentação dos resultados anuais da Air France-KLM, que revelaram um lucro líquido recorde de 1,75 mil milhões de euros em 2025, com receitas também em alta frente a 2024. O desempenho foi atribuído às remodelações implementadas e à moderação dos preços dos combustíveis, em um ambiente externo ainda marcado por incertezas.
Para a TAP, o momento também carrega oportunidades e desafios. A companhia comemora oito décadas de operação em 2025 e mantém forte presença no Brasil, com mais de 100 voos semanais e novas rotas inauguradas recentemente. Em entrevista ao Mercado & Eventos, o diretor para as Américas destacou que o processo de privatização foi desenhado para garantir crescimento sustentável, sem comprometer a identidade da empresa.
Apesar de eventuais mudanças no comportamento do mercado, incluindo menores demandas em alguns trechos transatlânticos, a TAP segue com planos de expansão de sua malha, reforçando sua importância como elo entre Europa, Brasil e demais destinos internacionais.
Com a fase de propostas não vinculativas em curso, o setor acompanha atentamente os próximos passos.







