Ryanair
Michael O’Leary, CEO da Ryanair (Bloomberg)

Uma troca pública de farpas entre o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, e Elon Musk ganhou contornos de estratégia de marketing improvisada e altamente eficaz. Conhecido pelo estilo direto e pouco diplomático, o executivo irlandês afirmou nesta quarta-feira que as vendas da companhia aérea cresceram 3% desde que ele entrou em confronto verbal com o bilionário fundador da Tesla, da SpaceX e dono do X.

Segundo O’Leary, o resultado chama ainda mais atenção por ocorrer em um período do ano em que, historicamente, as vendas costumam recuar no mercado europeu. Desta vez, porém, a Ryanair contou com um impulso inesperado de visibilidade. “Gostaríamos de agradecer sinceramente a ele pela publicidade adicional”, ironizou o CEO durante uma coletiva de imprensa.

A disputa teve início na semana passada, após Musk demonstrar irritação com a recusa da Ryanair em instalar o serviço de internet via satélite Starlink em seus aviões, conforme detalhado pelo Wall Street Journal. O’Leary argumenta que o custo da implementação chegaria a US$ 250 milhões por ano, somando não apenas a tecnologia em si, mas também o aumento no consumo de combustível causado pelo peso e pelo atrito das antenas externas.

Além disso, o executivo afirma que o perfil de clientes da companhia ultra low cost não estaria disposto a pagar cerca de US$ 3 extras por conexão à internet em voos curtos, que compõem a maior parte da operação da Ryanair.

A resposta de Musk veio pelo X, ao dizer que O’Leary estaria mal informado sobre os custos adicionais de combustível. O comentário foi o estopim para uma reação ainda mais dura do irlandês, que declarou em entrevista a uma rádio local que não dava “a menor atenção” ao que Musk publica na rede social, classificada por ele como um “esgoto”, antes de chamar o bilionário de “idiota”.

A escalada verbal continuou. Musk rebateu dizendo que “o CEO da Ryanair é um completo idiota” e sugeriu sua demissão. A equipe de redes sociais da companhia aérea, conhecida por seu tom provocativo, aproveitou uma instabilidade temporária do X nos Estados Unidos para insinuar que o próprio Musk talvez precisasse de Wi-Fi. O bilionário respondeu afirmando que poderia comprar a Ryanair e demitir O’Leary, além de chamá-lo de “chimpanzé insuportável”.

Como lembrou o Wall Street Journal, a ameaça é inviável na prática, já que a legislação da União Europeia impede que estrangeiros detenham mais de 49% de companhias aéreas do bloco. Além disso, a Ryanair não opera nos Estados Unidos, país onde Musk exerce influência política direta.

O episódio ganhou novo capítulo quando O’Leary decidiu transformar a polêmica em ação promocional. A empresa convocou uma coletiva de imprensa dedicada exclusivamente ao embate e lançou a chamada “liquidação do idiota”, com a oferta de 100 mil passagens só de ida a partir de 16,99 libras.

De acordo com o CEO, a página da promoção recebeu mais de 4 milhões de acessos em poucas horas. Ao comentar os insultos mais recentes de Musk, O’Leary voltou a ironizar: disse considerar a comparação injusta com os chimpanzés, mas excelente para os negócios da Ryanair.