Jornada
Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev (Divulgação/Alagev)

A Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) defende a manutenção do diálogo entre o governo federal e a iniciativa privada para avançar em pautas relacionadas ao turismo de negócios no Brasil.

Em entrevista ao Mercado & Eventos, Luana Nogueira, diretora-executiva da Alagev, afirma que a cooperação entre o poder público e o setor privado é importante para ampliar a competitividade, estimular a geração de empregos e fortalecer o turismo de negócios. A associação também defende o fortalecimento da promoção internacional do Brasil para atrair congressos, feiras e convenções.

“A Alagev defende uma agenda conjunta entre governo e iniciativa privada, com foco na modernização dos aeroportos, ampliação da conectividade aérea, integração dos modais de transporte e acesso a linhas de crédito para desenvolver destinos regionais”, afirma Luana.

A entidade considera que a melhoria da infraestrutura e das conexões de transporte pode favorecer a realização de eventos em diferentes regiões do país, ampliando as oportunidades para destinos que buscam atrair congressos e encontros corporativos.

Reforma tributária preocupa o setor

A reforma tributária está entre os temas acompanhados pela Alagev devido aos possíveis efeitos sobre os custos das viagens e dos eventos corporativos. A associação aponta a necessidade de atenção às alíquotas, ao aproveitamento de créditos e às mudanças nos processos de contratação.

“A principal preocupação é o impacto da Reforma Tributária sobre os custos dos serviços que compõem as viagens e os eventos, considerando alíquotas, aproveitamento de créditos e mudanças nos processos de contratação”, diz a diretora-executiva.

Outro assunto que exige atenção é o planejamento do fim da escala 6×1. Segundo a entidade, eventuais mudanças podem afetar a organização das equipes e a produtividade nos setores de turismo, hotelaria e eventos.

A Alagev defende que as mudanças sejam discutidas com diálogo entre o governo e o setor produtivo, previsibilidade e avaliação dos efeitos sobre empresas e trabalhadores. A associação também considera importante estimular a concorrência e ampliar os investimentos em infraestrutura para contribuir com a eficiência operacional e o equilíbrio de preços.

Viagens corporativas devem movimentar R$ 205,6 bilhões em 2026

O mercado brasileiro de viagens corporativas deve movimentar R$ 205,6 bilhões em 2026, crescimento de 5% em relação ao ano anterior. A projeção faz parte do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Alagev.

“A expectativa é de continuidade da expansão, impulsionada pela necessidade de relacionamento com clientes, capacitação de equipes e geração de negócios”, afirma Luana.

Para a associação, a continuidade desse crescimento depende de previsibilidade econômica, segurança regulatória e condições favoráveis aos investimentos. A ampliação da conectividade aérea e o desenvolvimento de novos destinos também são apontados como fatores que podem estimular a realização de eventos em diferentes regiões do Brasil.

Alagev defende diálogo institucional

Ao tratar do cenário político, a Alagev reafirma seu compromisso com a democracia, o respeito à escolha da população e a legitimidade do processo eleitoral. A entidade não condiciona sua atuação institucional a um governo específico e defende a cooperação entre os setores público e privado.

“Independentemente do governo eleito, considera essencial manter o diálogo institucional e a cooperação entre os setores público e privado para construir políticas que ampliem a competitividade, estimulem a geração de empregos e consolidem o turismo de negócios como vetor de desenvolvimento econômico sustentável”, afirma a associação.