IATA alerta para custo bilionário da crise na indústria aérea e reforça pressão por mais eficiência dos fabricantes em 2026
Durante balanço da 82ª Assembleia Geral Anual, líderes da IATA destacam impacto de US$ 11 bilhões causado por atrasos na entrega de aeronaves e defendem mais concorrência entre fabricantes (Beatriz Waehneldt/M&E)

RIO DE JANEIRO – Encerrando, hoje (08), a 82ª Assembleia Geral Anual da IATA, realizada ao longo desta semana, os principais líderes da aviação mundial fizeram um balanço dos temas que dominaram os debates ao longo do evento. Entre eles, a crise na cadeia de suprimentos, os atrasos na entrega de aeronaves, os custos crescentes da operação aérea e os desafios para garantir a sustentabilidade econômica do setor.

Durante a coletiva de encerramento, o diretor-geral da IATA, Willie Walsh, foi enfático ao afirmar que os problemas enfrentados pelos fabricantes de aeronaves e motores continuam sendo uma das maiores preocupações da indústria. Segundo ele, os atrasos acumulados nas entregas devem gerar um impacto de cerca de US$ 11 bilhões para as companhias aéreas em 2025. “O setor poderia evitar esse custo se os fabricantes tivessem conseguido cumprir seus cronogramas. Estamos falando de uma cifra extremamente relevante para uma indústria que projeta lucro líquido global de apenas US$ 23 bilhões neste ano”, destacou Walsh.

A consequência direta é a necessidade de manter aeronaves mais antigas em operação, elevando gastos com combustível, manutenção e utilização dos equipamentos. Para os executivos, o cenário evidencia a urgência de uma recuperação mais consistente da cadeia de fornecimento global. Outro tema que ganhou destaque foi a necessidade de ampliar a concorrência entre fabricantes. Questionado sobre o papel da indústria brasileira, Walsh elogiou a Embraer e ressaltou sua importância estratégica para a aviação mundial, embora tenha ponderado sobre os desafios de ingressar em segmentos dominados por Airbus e Boeing.

Já Roberto Alvo, CEO da Latam Airlines Group e novo presidente do Conselho da IATA, destacou que a prioridade da entidade será fortalecer ainda mais sua capacidade de representação diante dos desafios regulatórios, tecnológicos e operacionais que impactam o transporte aéreo global. “A IATA é hoje uma das organizações mais influentes do mundo na defesa de uma indústria. Precisamos continuar fortalecendo essa voz em um momento de profundas transformações”, afirmou.

Alvo também chamou atenção para o potencial da inteligência artificial e das novas soluções digitais como motores da próxima grande revolução da aviação. Segundo ele, os ganhos de eficiência poderão vir menos do hardware e mais do software, transformando processos operacionais e a experiência dos passageiros.

Ao longo da coletiva, os executivos também defenderam a importância de equilibrar metas ambientais com desenvolvimento econômico. Walsh criticou iniciativas que, segundo ele, podem comprometer a competitividade da aviação sem gerar resultados efetivos para o clima, defendendo que a conectividade aérea continue sendo reconhecida como um pilar do crescimento econômico global. A pressão sobre os custos também apareceu nas discussões sobre fechamento de espaços aéreos em regiões de conflito e aumento do tempo de voo em algumas rotas internacionais. Para a IATA, qualquer fator que eleve o consumo de combustível inevitavelmente acaba chegando ao bolso do passageiro.

Apesar dos desafios, a mensagem final da entidade foi de confiança. A expectativa é que mais de 5 bilhões de passageiros voem em 2025, reforçando o papel essencial da aviação para o comércio, o turismo e o desenvolvimento econômico. Ainda assim, Walsh lembrou que a margem líquida projetada para o setor segue extremamente apertada: cerca de US$ 4,50 de lucro por passageiro transportado. “O mundo depende da aviação para conectar pessoas, economias e mercados. Mas é preciso lembrar que operamos com margens muito pequenas e que cada novo custo tem impacto direto sobre a sustentabilidade do setor”, concluiu.