Bernadete e José Lorenção, que recebem 60 mil pessoas anualmente em suas terras; na home, Leandro e Pedro Carnielli, que empregam 40 funcionários em sua produção
Bernadete e José Lorenção, que recebem 60 mil pessoas anualmente em suas terras; na home, Leandro e Pedro Carnielli, que empregam 40 funcionários em sua produção
Um novo segmento surgiu no turismo do Espírito Santo. Pelo menos 270 famílias de agricultores que moram na região das Montanhas Capixabas descobriram uma forma de se beneficiarem com o agroturismo. Segundo o presidente do Montanhas Capixabas Convention & Visitors Bureau, Leandro Carnielli, o segmento cresce pelo menos 10% ao ano. 

“Recebemos e média mil pessoas por semana aqui na [fazenda] Carnielli. O agroturismo cresce até 15% por ano sem sustos”, explicou. Apesar da visitação não cobrar entrada dos turistas, a comercialização de produtos é alavancada com a modalidade, assim como a divulgação da produção das famílias que moram nos nove municípios que formam a região.

Com cerca de 40 funcionários – além dos 10 familiares, a empresa produz quatro produtos da agroindústria: café, leite, embutidos e derivados do milho, como a polenta. “A diversificação do que produzimos nos ajuda, ainda mais com o agroturismo”, ressalta o presidente. Ele aponta que a gastronomia faz, “senão a 110%, a 99%” do turismo e da cultura de um lugar.

Fluxo inverso – José Lorenção é outro exemplo de como a agricultura familiar desfruta dos benefícios do Turismo. Presidente da Associação de Produtores de Socol (Assocol) – produto típico da Itália e mantida pelos descendentes nas Montanhas, ele afirma que houve uma inversão no processo para a venda de produtos. “Antes, o produtor levava sua produção para a cidade para conseguir vender. Agora, o turista vem até a propriedade e compra e ainda faz a divulgação boca a boca”, afirma.

Por ano, cerca de 60 mil pessoas visitam o espaço onde Lorenção e sua família produzem. Deste total, 32% tem como origem da Grande Vitória – que soma cidades no entorno e a capital do Espirito Santo e 40% dos turistas vêm de outros Estados. “O turista hoje nos deu conforto para divulgar o que fazemos”, reafirma.

Arthur Stabile, de Domingos Martins