
Como o jornalismo e suas técnicas mudam com a evolução das mídias online e a globalização? A partir desse questionamento, Garrett Graff, editor do Washington Magazine, apontou caminhos para a profissão de jornalista nos dias atuais e seus principais desafios. O jornalista visita o Brasil e promoveu nesta terça-feira (27/03), em São Paulo, um debate para os profissionais da área. O MERCADO&EVENTOS esteve presente e pode conhecer mais desse jornalista, que também ficou conhecido como o primeiro blogueiro a ser convidado para a Casa Branca. O evento contou com o apoio da Capital Region USA, órgão de promoção turística de Washington DC, Maryland e Virginia, e da companhia aérea United Airlines.
O modo de se comunicar passa por uma revolução, segundo Graff. E essas mudanças acabam por influenciar os relacionamentos com as instrituições e os governos. “A sociedade espera que as informações divulgadas nas mídias sociais e os blogs respondam seus anseios e sirvam como forma de engajamento e interação com os demais”, afirma. O jornalista ressaltou, no entanto, que a internet deve servir como uma ferramenta para se aplicar o jornalismo midiático. “As pessoas buscam as mídias sociais – twitter, facebook, revistas em formato de IPads – para se informarem com mais rapidez. Nesse caso, o jornalismo deixa sua função mais sistemática para ganhar uma conotação mais cotidiana”, justificou. Nos Estados Unidos, por exemplo, Graff observa que o jornal diário perde um pouco de sua função se comparado a web. “A internet pode ser um grande aliado de revistas mensais, que oferecem uma análise mais apurada de determinado assunto. Mas quando se tem a notícia online e um jornal diário, o atraso na informação é de, pelo menos 12 horas. É um modelo antigo e que não serve para os dias de hoje”, argumenta.
Graff lembra que quem procura as mídias online querem informações com rapidez e uma visão geral do tema. “Essa pessoa não tem interesse em uma análise aprofundada. E para trabalhar na web, o jornalista deve se especializar para atender a esse público. Esse será um dos desafios para as próximas décadas. O editor revela ainda que é fundamental saber para qual público a notícia interessa. “Para aquele leitor que vê na informação uma oportunidade de negócios e para o crescimento de um setor da economia, é válido uma publicação cobrar um valor por isso. Normalmente, as análises valem mais do que o preço pago para receber o jornal ou revista”, destaca. Por outro lado, grande parte do leitor online utiliza a internet para entretenimento. “São notícias fast food, que não provoca o engajamento, apenas entretém e por isso são gratuitas”, reforçou, mencionando que esse cenário provocará reflexos nos governos nos próximos anos.
Em outro ponto, o editor apresenta que as mídias online acabam por favorecer o aparecimento de novas “vozes”. Os jornalistas se transformam em marcas e seus artigos, em produtos de valores. “Ele acaba por se tornar mais conhecido que a publicação onde trabalha. Hoje, é muito comum profissionais de grandes jornais partirem para os blogs. É um movimento que não se via há cinco anos atrás”, comentou. O papel das mídias online é crucial para o jornalismo “falar” por todos os canais. As informações de uma revista, de acordo com ele, ganham maior abrangência e importância quando são divulgadas no facebook, twitter, versões para ipads, vídeos e newsletters. “Os próprios leitores se tornam disseminadores dessas notícias ao compartilharem com seus amigos e conhecidos. A comunicação acontece rapidamente”, acrescentou.
Leila Melo







