
Uma mulher de Londres contestou uma cobrança de £ 12 mil (cerca de R$ 82 mil) feita pelo Airbnb após se hospedar por dois meses e meio em um apartamento em Nova York, no início deste ano. A empresa suspendeu a cobrança e devolveu £ 4,3 mil referentes à estadia depois que a hóspede apontou que as imagens usadas como prova de danos ao imóvel apresentavam sinais de adulteração com inteligência artificial.
A usuária havia deixado o imóvel antes do fim do período inicialmente previsto, alegando insegurança na vizinhança. Dias após sair, foi informada pela plataforma de que o anfitrião havia relatado uma série de danos no apartamento, incluindo uma mesa de centro rachada, colchão manchado, equipamentos eletrônicos danificados e outros itens avariados.
O proprietário encaminhou fotos à plataforma, que inicialmente aceitou o material como evidência. A hóspede negou as acusações e argumentou que deixou o local em boas condições. Ao examinar as imagens, relatou ter identificado inconsistências visuais em registros do mesmo objeto, indicando que se tratavam de arquivos adulterados digitalmente ou gerados com ferramentas de inteligência artificial.
Segundo ela, as imagens apresentavam variações incompatíveis com registros fotográficos reais do mesmo item. A hóspede também afirmou ter informado ao Airbnb que poderia apresentar uma testemunha que esteve presente no momento do check-out.
Em comunicado, o Airbnb informou que analisa todas as evidências disponíveis para tomar decisões que sejam proporcionais e que essas decisões podem ser contestadas pelas partes envolvidas. Após nova análise do caso, a plataforma cancelou a cobrança solicitada pelo anfitrião e reembolsou a hóspede.
A cliente afirmou que sua principal preocupação é com usuários que não tenham condições de identificar esse tipo de manipulação. Segundo ela, a facilidade de gerar imagens falsas com IA pode comprometer a integridade de processos de mediação e prejudicar consumidores.
A empresa declarou que revisará os procedimentos adotados na condução do caso. O episódio gerou questionamentos sobre a robustez dos sistemas de verificação de provas utilizados por plataformas de aluguel por temporada diante do avanço de tecnologias de manipulação digital.







