
O turismo brasileiro viveu recentemente um daqueles momentos que merecem atenção. Não apenas pelas falas contundentes, pelos números apresentados ou pelas reivindicações legítimas dos diversos setores da cadeia produtiva. Mas porque, acima de tudo, ficou evidente uma percepção compartilhada: o turismo só avançará na velocidade que o Brasil precisa se avançar unido.
Ao longo dos debates promovidos na Casa Lide neste mês, durante o Seminário Lide, representantes da aviação, hotelaria, cruzeiros marítimos, agenciamento, operadores e entidades setoriais repetiram, de diferentes formas, a mesma mensagem: o Brasil possui potencial extraordinário, mas continua crescendo abaixo daquilo que poderia entregar para sua economia, para a geração de empregos e para o desenvolvimento regional.
Talvez o principal mérito do encontro tenha sido justamente esse. Tirar o foco dos interesses individuais e recolocar no centro da discussão a construção de uma agenda comum.
A aviação precisa dos destinos fortes. Os destinos precisam da conectividade aérea. Os hotéis dependem da promoção turística. Os cruzeiros dependem de infraestrutura. Os agentes de viagens dependem de produtos competitivos. E todos dependem de um ambiente econômico e regulatório capaz de estimular investimentos. Não existe turismo forte com setores trabalhando isoladamente.
Quem acompanha o turismo brasileiro há décadas sabe que muitas das maiores conquistas do setor nasceram justamente da capacidade de articulação entre seus diferentes atores. Quando governo, iniciativa privada, entidades e lideranças caminharam na mesma direção, os resultados apareceram.
Foi ouvindo essas reflexões que me veio uma convicção ainda maior sobre o papel do Mercado & Eventos nesse processo.
Ao longo de mais de duas décadas, o M&E construiu uma relação de proximidade com todos os elos da cadeia turística. Estivemos presentes nas transformações do setor, acompanhamos governos, promovemos destinos, registramos conquistas e desafios e, sobretudo, mantivemos um diálogo permanente com empresários, executivos, agentes de viagens e lideranças públicas.
Essa trajetória nos coloca em uma posição privilegiada. Não para liderar movimentos ou assumir protagonismos que pertencem às entidades e aos representantes legítimos de cada segmento. Mas para algo igualmente importante: servir como ponte.
Uma ponte entre o setor público e a iniciativa privada. Entre grandes empresas e pequenos empreendedores. Entre destinos e distribuidores. Entre quem formula políticas e quem vive a realidade do mercado diariamente.
Foi exatamente com esse espírito que demos um passo importante ao lançar o Hub M&E.
O projeto nasceu da convicção de que era preciso aproximar novamente os agentes de viagens do centro das discussões do turismo nacional, fortalecendo conexões, compartilhando conhecimento e criando oportunidades de relacionamento e negócios.
Mas o Hub representa algo ainda maior. Representa a crença de que o turismo cresce quando seus elos se encontram.
Quando criamos espaços de diálogo, diminuímos distâncias. Quando promovemos encontros, ampliamos oportunidades. Quando conectamos pessoas, ajudamos a construir soluções.
O Brasil não precisa apenas de mais turistas. Precisa de mais convergência. Precisa de uma visão de longo prazo capaz de superar divisões e colocar o turismo na posição estratégica que ele merece ocupar.
O Mercado & Eventos seguirá fazendo aquilo que sempre fez: informando, conectando e dando voz ao setor.
Se existe uma união nacional do turismo a ser construída, ela nascerá do diálogo, da cooperação e da capacidade de reunir pessoas em torno de objetivos comuns. E, para isso, o M&E continuará sendo palco, vitrine e ponte.
Porque conectar os elos do turismo brasileiro talvez seja uma das contribuições mais importantes que podemos oferecer ao futuro do setor.
- Roy Taylor é presidente do M&E






