
O mercado turístico global entrou em alerta após o Banco Mundial projetar alta de 24% nos preços da energia em 2026, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pelas interrupções no transporte marítimo no Estreito de Ormuz, fator que eleva custos operacionais e pressiona a rentabilidade de empresas do setor.
A estimativa integra o relatório “Perspectivas para o Mercado de Commodities”, que considera a normalização gradual do fluxo marítimo até outubro, mas aponta riscos elevados de novas altas caso o conflito se prolongue ou haja danos adicionais à infraestrutura energética na região.
“A guerra está atingindo a economia global em ondas cumulativas: primeiro por meio do aumento dos preços da energia, depois pelo aumento dos preços dos alimentos e, finalmente, pelo aumento da inflação, que elevará as taxas de juros e tornará a dívida ainda mais cara”, afirmou o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.
No cenário base, o petróleo Brent deve atingir média de US$ 86 por barril em 2026, acima dos US$ 69 registrados em 2025, podendo chegar a US$ 115 em cenários adversos. O banco também projeta aumento de 16% nos preços gerais das commodities e alta de 31% nos fertilizantes, com impacto direto na cadeia de alimentos. A inflação nas economias em desenvolvimento deve alcançar 5,1%.
Impactos operacionais no turismo

O aumento do custo do combustível de aviação, que representa parcela relevante das despesas das companhias aéreas, tende a pressionar tarifas e reconfigurar a malha aérea, com possível redução de frequências em rotas de longa distância. O repasse ao consumidor ocorre em um ambiente de inflação mais alta e crédito mais caro, o que afeta diretamente o turismo mundial.
Na hotelaria, o efeito é duplo. O encarecimento da energia eleva despesas com climatização e operação de infraestrutura, enquanto o aumento dos fertilizantes pressiona o custo de alimentos e bebidas.
Para o mercado brasileiro, o cenário indica cautela. A pressão sobre o dólar e o encarecimento das commodities podem reduzir o ritmo do turismo emissivo internacional e deslocar a demanda para o mercado interno, com foco em controle de custos e ajuste de portfólio.







