
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a subir o tom contra a Venezuela neste sábado (29) e afirmou que o espaço aéreo do país deve ser considerado “totalmente fechado”. O alerta foi publicado logo cedo em seu X (antigo Twitter, rede social), direcionado a companhias aéreas, pilotos e também a traficantes de drogas e de pessoas, segundo ele. “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela como totalmente fechado”, escreveu.
Apesar de não ter autoridade legal para fechar o espaço aéreo de um país estrangeiro, a declaração de Trump aumentou o temor de escalada e reduziu ainda mais o número de voos sobre a Venezuela. Ao longo do dia, imagens do Flight Radar (sistema de rastreamento de voos) mostravam pouquíssimas aeronaves no espaço aéreo venezuelano. Desde a sexta-feira anterior, diversas companhias já vinham suspendendo operações após um alerta da Agência de Aviação Civil dos EUA sobre o agravamento da segurança na região e o aumento da atividade militar.

Na quinta-feira, em resposta, Nicolás Maduro revogou as licenças de seis empresas, entre elas a Gol e a Latam Colômbia. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, neste sábado, classificou o aviso de Trump como uma “ameaça colonialista” e disse que se trata de uma agressão ilegal e injustificada. Em Caracas, a população demonstrou preocupação com as viagens marcadas para o fim do ano, tanto para visitar a família quanto para compromissos de trabalho. Manuel, civil entrevistado pelo JN, lembrou também de quem precisa viajar a negócios: “Acabamos pagando o preço pelas consequências das coisas que estão acontecendo”, disse.
A pressão militar americana na região também aumentou. Os EUA enviaram navios ao Caribe há pouco mais de três meses e mantêm cerca de 15 mil militares em Porto Rico e em pelo menos nove embarcações, incluindo o maior porta-aviões do mundo e um submarino nuclear. Desde setembro, ataques americanos destruíram mais de 20 barcos no Caribe e no Pacífico, resultando na morte de 83 pessoas. Washington afirma, sem apresentar provas, que todos eram narcoterroristas ligados ao envio de drogas para os EUA e acusa Maduro de chefiar um cartel classificado recentemente como grupo terrorista estrangeiro.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Heghseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, visitaram as tropas no Caribe nos últimos dias. Imagens captadas pela Reuters na base de Porto Rico mostram um aumento no tráfego de aviões e helicópteros.
Mesmo com as ameaças, Trump também acena para a diplomacia. Segundo o New York Times, o presidente conversou com Nicolás Maduro há cerca de uma semana e os dois discutiram a possibilidade de um encontro. A Casa Branca não comentou.
Com informações de Jornal Nacional.







