
Funcionários do World Travel & Tourism Council (WTTC) foram surpreendidos com o anúncio de que a sede da entidade deixará Londres, no Reino Unido, e será transferida para Madrid, na Espanha. A decisão foi comunicada durante a 25ª edição do Global Summit do WTTC, realizada em Roma, entre 27 e 30 de setembro.
Duas fontes ligadas à direção do WTTC confirmaram ao Publituris que o anúncio foi feito “uma hora antes da festa do staff responsável pela 25ª edição do Global Summit”. Segundo eles, a equipe acreditava que se tratava de um encontro para agradecer pelo trabalho no evento, mas foi informada da mudança de sede.
“Todos nós ficámos em choque e incrédulos com o anúncio”, afirmaram os dois executivos sob anonimato.
A transferência da sede foi novamente comentada durante a World Travel Market (WTM) London 2025, realizada de 4 a 6 de novembro. Fontes internas afirmaram que outros países, como Itália e Suíça, também foram considerados antes da escolha por Madrid.
De acordo com os executivos, a direção do WTTC justificou a mudança pela “perda de influência do Reino Unido na Europa após o Brexit” e pela “procura de atrair trabalhadores multilingues”.
“É estranho apontarem o Brexit como uma das razões, quando a saída do Reino Unido da União Europeia ocorreu há quase dez anos. Além disso, indicar a procura de trabalhadores multilingues é completamente absurdo, já que Londres é uma cidade multicultural e multilingue”, disseram.
Os funcionários relataram ainda incerteza sobre o futuro da equipe. “A informação que temos é que podemos começar a procurar emprego, já que nenhum dos funcionários de Londres será realocado à nova sede em Madrid”, afirmaram.
A mudança coincide com uma reorganização interna no WTTC. Julia Simpson deixou o cargo de CEO e presidente, sendo substituída interinamente por Gloria Guevara. Além disso, a presidência do conselho passou a Manfredi Lefebvre, no lugar de Greg O’Hara.
As fontes consideram “estranhas” as recentes movimentações, que ocorrem em meio a especulações sobre uma possível transferência da sede da UN Tourism para Riade, na Arábia Saudita.
“Parece uma compensação por Madrid perder protagonismo caso a sede da UN Tourism vá para Riade”, disseram. “Se Madrid mantiver a UN Tourism, qual seria a justificativa de colocar também a sede do WTTC lá? É o que todos perguntamos, mas não recebemos resposta.”
Mudança confirmada
No final de outubro, o WTTC enviou um comunicado à imprensa informando que avaliava a transferência da sede de Londres para outro país europeu, conforme publicado pelo M&E. O texto confirma que o Conselho de Administração da entidade endossou um plano de reestruturação global para “assegurar a continuidade da liderança do WTTC no setor e defender o crescimento sustentável de longo prazo nas viagens e no turismo”.
A nota aponta que Espanha, Itália e Suíça estão entre as opções em estudo e que a organização “iniciou uma avaliação e consulta com todos os funcionários atualmente baseados em Londres”.
Em declaração oficial, o presidente do conselho, Manfredi Lefebvre, afirmou que o Brexit é um dos principais fatores considerados na decisão.
“O WTTC é uma organização focada nos membros e é por isso que estamos explorando todas as opções para nossa estrutura futura. O Brexit é um dos principais fatores em nossa decisão de potencialmente mudar nossa sede para fora do Reino Unido.”
Lefebvre acrescentou que uma sede europeia pode oferecer vantagens estratégicas.
“Os benefícios de uma sede europeia incluem custos operacionais mais baixos, acesso ao mercado único da União Europeia e a flexibilidade de contratar um pool de talentos multilíngue.”
Ele também reforçou que o padrão de serviço da entidade deve ser mantido.
“O alto nível dos serviços de pesquisa oferecidos aos nossos membros, governos e partes interessadas continuará na vanguarda do nosso trabalho, e estamos confiantes de que atrairemos talentos de alta qualidade no mercado europeu.”
Segundo o comunicado, o setor de viagens e turismo deverá encerrar 2025 com contribuição de US$ 11,7 trilhões ao PIB global, o equivalente a 10,3% da economia mundial, e gerar 371 milhões de empregos, ou 11% do total global — o que representa um em cada três novos postos criados no mundo neste ano.
*Com informações do WTTC e do Publituris.







