IA redefine viagens e operações: oportunidades e riscos para empresas e agentes
Estudos apontam que 80% dos viajantes já se beneficiaram de IA nos últimos dois anos (Banco de imagens/Pixabay)

O uso de inteligência artificial (IA) no turismo está em rápida expansão, influenciando desde o planejamento de viagens até a gestão de hotéis e transporte. Estudos apontam que 80% dos viajantes já se beneficiaram de IA nos últimos dois anos, com adesão ainda maior entre millennials e a geração Z. O setor projeta impactos econômicos globais entre US$ 15,7 trilhões e US$ 19,9 trilhões até 2030, segundo relatório da UN Tourism e Saxion University of Applied Sciences.

Plataformas como Skyscanner, Hopper, Kayak e Perplexity utilizam algoritmos avançados de machine learning e deep learning para prever preços, recomendar voos e acomodações e criar roteiros personalizados. Ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, estão sendo incorporadas em assistentes virtuais de empresas e marcas digitais, oferecendo suporte em tempo real, traduções e até planejamento de itinerários, como mostram iniciativas do HotelTonight e do guia Perrengue Chique.

O setor também aposta em soluções para otimização de operações. Chatbots, manutenção preditiva, reconhecimento facial e Internet das Coisas (IoT) em hotéis inteligentes melhoram eficiência, segurança e experiência do cliente. Tecnologias de blockchain complementam a IA garantindo maior segurança nas transações e controle de dados. Para gestores, softwares de precificação dinâmica, análise de dados e automação de marketing aumentam receita e capacidade de personalização.

No entanto, a adoção da IA não é isenta de riscos. Pesquisas indicam que 33% das recomendações de ferramentas de IA contêm informações falsas, e 37% dos usuários relatam dificuldade em obter dados confiáveis. Especialistas alertam para o fenômeno das “alucinações” de IA — quando sistemas como ChatGPT ou Google Gemini inventam respostas plausíveis, mas imprecisas — o que já resultou em turistas indo a destinos inexistentes ou tomando decisões arriscadas.

A transformação tecnológica impacta ainda o mercado de trabalho. Funções repetitivas, como recepção de hotéis e call centers, tendem a ser automatizadas, enquanto surgem oportunidades para especialistas em IA aplicada, análise de dados e consultoria em automação turística. Estima-se que até 2030, 170 milhões de novos postos de trabalho serão criados no mundo, frente a 92 milhões substituídos, segundo o Fórum Econômico Mundial.

O desafio do setor é equilibrar automação e interação humana, garantindo experiência personalizada sem comprometer segurança, ética e privacidade. Regulamentações em debate na União Europeia e nos Estados Unidos buscam criar transparência sobre conteúdos gerados por IA, mas especialistas alertam que a verificação individual continua essencial para evitar desinformação.

Enquanto a Geração Beta, nascida entre 2025 e 2039, crescerá imersa em tecnologias digitais, o turismo precisará se adaptar a clientes que esperam serviços altamente automatizados e personalizados, mas com segurança e confiabilidade. Para especialistas, a chave está em integrar a IA de forma responsável, mantendo a capacidade de improvisação humana e empatia na experiência de viagem.

O agente inteligente

IA redefine viagens e operações: oportunidades e riscos para empresas e agentes
Ferramentas de IA generativa, como ChatGPT, estão sendo incorporadas em assistentes virtuais de empresas e marcas digitais (Banco de imagens/Pixabay)

No cotidiano dos agentes de viagens, a inteligência artificial redefine a rotina profissional. Ferramentas de IA não substituem o conhecimento do agente, mas transformam tarefas repetitivas e permitem um relacionamento mais estratégico com o cliente.

Softwares de análise de dados, chatbots, assistentes virtuais e sistemas de personalização automatizam atividades como gerenciamento de reservas, consultas de disponibilidade de hotéis e comparação de preços em múltiplas plataformas. Isso libera tempo para que o agente se concentre em consultoria personalizada, criação de experiências únicas e identificação de oportunidades de mercado que não seriam perceptíveis apenas por dados brutos.

O uso de IA também abre possibilidades para precificação dinâmica e otimização de pacotes turísticos, fornecendo informações em tempo real sobre flutuações de tarifas e demanda. Ferramentas como Revenue Management Systems (RMS) e Pricefx, integradas aos sistemas dos agentes, permitem ajustar pacotes de forma ágil, aumentando a competitividade e margem de lucro.

Porém, os riscos do uso indiscriminado são claros. Agentes que confiam cegamente em itinerários gerados por IA podem enfrentar problemas de confiabilidade das informações. Por isso, é essencial desenvolver olhar crítico sobre dados gerados por IA, validando informações antes de apresentá-las aos clientes e transformando a tecnologia em aliada, não substituta.

Além disso, a IA aumenta a exigência de atualização profissional. Ferramentas como Tableau, Power BI e plataformas de análise de comportamento do consumidor exigem que os agentes compreendam métricas, padrões de viagem e preferências individuais.

O domínio dessas tecnologias se torna um diferencial competitivo. Quem consegue interpretar insights da IA e combiná-los com experiência prática consegue oferecer serviços mais personalizados e seguros. Isso reforça o papel do agente como consultor de confiança em meio à abundância de dados digitais.