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Gloria Guevara, presidente e CEO do WTTC, define estratégias para trabalho, tecnologia e gestão do crescimento do mercado global (Reprodução/WTTC)

Gloria Guevara, ex-presidente e CEO do World Travel & Tourism Council (WTTC), foi reconduzida ao cargo após Julia Simpson deixar a função em razão de problemas de saúde anunciados no ano passado. De volta ao WTTC, Guevara trabalha para orientar o setor global de viagens e turismo diante dos desafios previstos para 2026 e os próximos anos. Em entrevista, ela abordou temas relacionados à indústria.

Guevara afirmou que considera a volta ao WTTC uma honra, após um dos anos mais fortes já registrados para empresas e organizações privadas do setor. Segundo ela, os membros são o principal ativo da entidade e o motivo da sua existência. O papel do conselho é apoiá-los para ampliar investimentos, gerar empregos e distribuir os impactos econômicos do turismo entre mais destinos.

A executiva destacou que seu mandato inclui alinhar as ações do WTTC às prioridades dos membros, com foco em crescimento, resiliência e geração de valor no longo prazo. Entre os objetivos, estão ampliar a cooperação entre setores público e privado e manter a entidade com atuação global.

O turismo volta a crescer, mas a forma de evolução definirá sua sustentabilidade e futuros resultados

Turismo em 2026: Nova liderança do WTTC projeta desafios e oportunidades
A jornada do viajante permanece complexa e desafiadora (Reprodução/Freepik)

Entre os desafios, Guevara destacou a escassez global de mão de obra. Relatório do WTTC aponta déficit de 43 milhões de trabalhadores para preencher 91 milhões de empregos previstos até 2035. China, Índia e União Europeia registram os maiores déficits, com faltas estimadas em 16,9 milhões, 11 milhões e 6,4 milhões de trabalhadores, respectivamente. No Japão, a demanda por profissionais qualificados pode superar a oferta em 29%. Grécia e Alemanha podem enfrentar déficits de 27% e 26%.

A hotelaria pode enfrentar falta de 8,6 milhões de trabalhadores, cerca de 18% abaixo da necessidade. Funções operacionais devem continuar em alta demanda, com necessidade de mais de 20 milhões de profissionais adicionais. Atividades que exigem interação humana permanecem com baixa possibilidade de automação.

Guevara afirmou ainda que as empresas enfrentam um ambiente operacional complexo. Segundo ela, a jornada do viajante permanece fragmentada, com desafios envolvendo vistos, processos de fronteira, sistemas de identidade e conectividade.

Ela também citou desafios ligados à transformação digital e adoção de inteligência artificial, pressões ambientais e impactos causados por eventos geopolíticos, pandemias e fenômenos climáticos. Em algumas regiões da Europa e outros destinos, o crescimento da visitação tem gerado pressão sobre infraestrutura e comunidades locais.

Melhores fronteiras

Turismo em 2026: Nova liderança do WTTC projeta desafios e oportunidades
A WTTC busca desenvolver soluções práticas após mudanças no programa ESTA dos Estados Unidos (Reprodução/Freepik)

Outro ponto citado foi o possível impacto de mudanças no programa ESTA dos Estados Unidos, que pode exigir maior divulgação de redes sociais. Estudos do WTTC indicam que a medida pode reduzir a demanda por viagens internacionais, enfraquecer a economia turística do país e gerar perda de até 157 mil empregos, além de uma possível redução de US$ 15,7 bilhões nos gastos de visitantes. Entre 2019 e 2025, os Estados Unidos já registraram queda de 11 milhões de visitantes internacionais.

Para enfrentar os desafios, Guevara afirmou que o WTTC busca trabalhar com membros e parceiros para desenvolver soluções práticas. Entre as iniciativas estão a promoção de viagens mais integradas e seguras, com fronteiras inteligentes, vistos digitais e uso de biometria.

A entidade também pretende fortalecer o planejamento de força de trabalho, acelerar a adoção digital e de inteligência artificial, apoiar operadores menores e destinos emergentes, além de desenvolver estratégias para lidar com o excesso de visitantes e melhorar a gestão de destinos. O WTTC também pretende ampliar ações voltadas à preparação para crises.

Para enfrentar a escassez de mão de obra, o WTTC propõe atrair jovens para o setor, ampliar parcerias entre instituições de ensino e empresas, melhorar políticas de retenção, investir em qualificação digital e adotar políticas de trabalho mais flexíveis, incluindo facilitação de contratação internacional.

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Sustentabilidade e turismo

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A WTTC desenvolveu um guia para auxiliar empresas na elaboração de relatórios de sustentabilidade (Reprodução/Freepik)

Sobre sustentabilidade, Guevara afirmou que o tema é prioridade para os membros. Em 2023, o WTTC lançou o programa Hotel Sustainability Basics. Atualmente, mais de 5 mil hotéis em mais de 80 países participam da iniciativa, que inclui um plano com 12 etapas voltadas à redução de emissões de carbono, consumo de energia, água e geração de resíduos, além do impacto nas comunidades locais.

O WTTC também atua no desenvolvimento de estratégias de descarbonização e metas de neutralidade climática, além de produzir pesquisas sobre clima, energia, água e questões sociais. A entidade desenvolveu ainda um guia para auxiliar empresas na elaboração de relatórios de sustentabilidade.

Guevara destacou que, em 2025, o turismo contribuiu com US$ 11,7 trilhões para o PIB global, o equivalente a 10,3% da economia mundial, superando níveis pré-pandemia e registrando crescimento anual de 6,7%. Mais de 1,5 bilhão de pessoas realizaram viagens internacionais no período, 80 milhões a mais que em 2024. A expectativa é que o setor gere 91 milhões de novos empregos até 2035.

Em relação às pesquisas futuras, o WTTC deve ampliar estudos sobre tecnologia, inteligência artificial e gestão de fronteiras. Segundo levantamento da entidade, processos migratórios digitalizados podem adicionar US$ 401 bilhões ao PIB global e gerar 14 milhões de empregos até 2035 nos países do G20, União Europeia e África. A entidade também pretende ampliar estudos sobre gestão de destinos, sustentabilidade, resiliência e mudanças no comportamento dos viajantes.

Para 2026, Guevara afirmou que o setor deve priorizar a formação da força de trabalho, a gestão do crescimento turístico e a comunicação dos impactos econômicos do turismo. O WTTC pretende apoiar a adoção de modelos de planejamento que envolvam governos, empresas e comunidades locais. Segundo ela, o alinhamento entre qualificação profissional, mobilidade, integração da jornada do viajante e gestão de destinos pode ampliar o potencial de crescimento do setor na próxima década.

*Com informações de Lacey Pfalz, Travel Plus.

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