
O Japão ultrapassou os Estados Unidos e assumiu a liderança do Travel & Tourism Development Index (TTDI) 2026, ranking do Fórum Econômico Mundial (WEF) que avalia as condições estruturais para o desenvolvimento sustentável e resiliente do turismo. O país alcançou 5,27 pontos, em uma escala de 1 a 7, enquanto os Estados Unidos ficaram com 5,23 e a Espanha, com 5,22.
O levantamento, divulgado em 25 de setembro, analisou 110 economias e considera fatores como infraestrutura de transporte, serviços turísticos, ambiente de negócios, conectividade, recursos naturais e culturais e condições para o desenvolvimento sustentável do setor. O índice não mede diretamente o número de turistas recebidos, os gastos dos visitantes ou a receita turística de cada país.
Japão chega ao topo
A ascensão japonesa ocorre em um cenário de recuperação e expansão do turismo na região da Ásia-Pacífico. O Japão avançou duas posições em relação à edição de 2024 e passou a ocupar o primeiro lugar. Segundo o WEF, o país se destaca por seus recursos culturais e também pela capacidade de atender segmentos relacionados a negócios, educação e outras atividades além do turismo de lazer.
Apesar da mudança de liderança, os dez países que aparecem no topo são os mesmos de 2024. O que mudou foi a ordem entre eles.
Os dez primeiros colocados do TTDI 2026 são:
Japão — 5,27
Estados Unidos — 5,23
Espanha — 5,22
Austrália — 5,18
França — 5,17
Alemanha — 5,09
Reino Unido — 5,08
China — 5,00
Suíça — 4,97
Itália — 4,93
Brasil perde cinco posições
O Brasil aparece na 32ª colocação, com pontuação de 4,41, cinco posições abaixo do resultado registrado em 2024. A queda no ranking, entretanto, não significa que a pontuação brasileira tenha diminuído. Pelo contrário: o país apresentou crescimento de 1% na nota entre as duas edições.
O movimento precisa ser analisado dentro do desempenho geral do levantamento. Entre 2024 e 2026, 101 das 110 economias avaliadas — 92% do total — melhoraram suas pontuações, fazendo com que países que avançaram em termos absolutos também pudessem perder posições no ranking.
O resultado brasileiro também precisa ser colocado em perspectiva histórica. Em 2024, o Brasil havia alcançado a 26ª posição, depois de avançar de 34º lugar em 2019. Na edição de 2026, portanto, o país permanece abaixo do desempenho de 2024, embora sua pontuação ainda esteja acima da registrada em 2019.
Turismo mundial avança, mas com novos desafios
O levantamento aponta uma melhora generalizada das condições para o desenvolvimento do turismo. A pontuação média das 110 economias cresceu 2,1% entre 2024 e 2026, no ritmo mais acelerado desde 2019. Os principais avanços ocorreram em recursos culturais, infraestrutura e serviços turísticos e conectividade aérea.
O cenário acompanha a recuperação da demanda internacional. Em 2025, o turismo mundial registrou 1,5 bilhão de chegadas internacionais, novo recorde e 5% acima de 2024, segundo os dados utilizados pelo WEF.
Ao mesmo tempo, o relatório chama atenção para uma mudança no perfil dos desafios enfrentados pelo setor. Com a recuperação da demanda, entram no radar questões como aumento dos custos das viagens, necessidade de investimentos em infraestrutura, escassez de mão de obra qualificada, pressão sobre recursos naturais e sustentabilidade.
Ásia-Pacífico ganha espaço
A região da Ásia-Pacífico apresentou a maior evolução média entre 2024 e 2026, com crescimento de 3,6% na pontuação do índice. O WEF destaca que sete dos dez destinos que mais avançaram no período estão na região.
O desempenho reforça uma tendência de crescimento dos grandes mercados emergentes de turismo. China, Índia, Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, Filipinas, Turquia, México e Brasil formam o grupo dos dez maiores mercados emergentes analisados pelo relatório. Juntos, eles representam mais de 28% do PIB direto global de viagens e turismo, participação que o WEF projeta em 35% até 2035.
O ranking de 2026, portanto, mostra um setor global em expansão, mas também mais dependente da capacidade dos destinos de combinar infraestrutura, conectividade, investimentos, recursos culturais e naturais e sustentabilidade para transformar o crescimento da demanda em desenvolvimento de longo prazo.







