
A Uber decidiu dar mais um passo para dentro do turismo, e dessa vez o movimento envolve gente que conhece a viagem na prática. A empresa começou a recrutar profissionais de turismo para treinar seu novo modelo de inteligência artificial, em um projeto de três meses voltado a “quem entende de logística, roteiros e tomada de decisão”, como descreve a própria companhia.
O anúncio apareceu no LinkedIn e mira especialmente agentes de viagem, planejadores de destinos e especialistas em transporte, segundo o site Skift. Por ora, as contratações são restritas aos Estados Unidos, mas sinalizam uma ambição clara: preparar uma IA capaz de atuar como um híbrido entre concierge, planejador e assistente de mobilidade.
O movimento é apenas mais um capítulo da aproximação da Uber com o setor. A empresa, que já domina o transporte terrestre em aeroportos mundo afora, tem feito acordos que vão muito além do embarque no meio-fio. Neste ano, fechou parceria com a Riyadh Air para integrar mobilidade urbana e reserva de voos dentro do mesmo aplicativo, uma promessa de jornada totalmente conectada.
No ano passado, a companhia também avançou com o polêmico sistema de pick-up na calçada no aeroporto de Sydney, mesmo diante da pressão dos taxistas locais. A ofensiva mostra que a estratégia global da Uber tem sido ocupar espaços antes exclusivos do trade de turismo tradicional.
E a movimentação gera rumores. Desde 2024, analistas especulam a possibilidade de uma investida da Uber para comprar a Expedia, uma hipótese nunca confirmada, mas que ilustra o apetite da empresa para se consolidar como uma plataforma de viagens completa. Agora, ao buscar profissionais para treinar sua IA, a companhia dá um sinal concreto de que está construindo algo maior, e que pretende usar conhecimento humano para moldar a próxima fase dessa ambição.







