Christiano Oliveira, CEO do grupo Flytour
Christiano Oliveira, CEO do Grupo Flytour

SÃO PAULO – Um ano de transformação, mas com crescimento. É assim que o CEO do Grupo Flytour, Christiano Oliveira define 2018. Ele recebeu a reportagem do M&E na sede da empresa em São Paulo para uma entrevista exclusiva e falou sobre as mudanças ocorridas no ano e das perspectivas para 2019. O executivo revelou que o faturamento do grupo será 9,8% maior do que em 2017, o que significa um resultado superior aos R$ 6 bilhões. Para 2019, a previsão é otimista: 10% de crescimento em um cenário mais favorável do que o deste ano. “Foi um ano de transformação, mas que conseguimos crescer como um todo. Todos os nossos canais atingiram o que projetamos, alguns até mais do que esperávamos”, comemorou o executivo, que apresentará os resultados de forma detalhada ao Conselho da empresa nesta sexta-feira (21). “Estamos empolgados para 2019. Não será um ano maravilhoso, mas certamente melhor do que 2018”, complementou.

 “Estamos empolgados para 2019. Não será um ano maravilhoso, mas certamente melhor do que 2018”

Oliveira considera que o grande mérito destes resultados é justamente o equilíbrio entre os canais, uma vez que todos eles apresentaram crescimento. O CEO contou que até maio, quando aconteceu a greve dos caminhoneiros, o dólar sofreu um grande impacto e acabou prejudicando todo o mercado. “Historicamente, a indústria do Turismo cresce três vezes mais que o PIB. Além de uma maior produtividade, certamente crescemos em share”, acredita. Outro fator considerado essencial é a gestão. Investimentos em Recursos Humanos e tecnologia fizeram com que o grupo tivesse um ganho em produtividade. O executivo revelou ainda que as despesas diminuíram, bem como o número de colaboradores, que caiu de 2,1 mil para pouco menos de 1,8 mil, fatores que farão com o lucro líquido seja elevado. “Em 2019 teremos menos despesas recorrentes, e manteremos os investimentos em todas as áreas”, garantiu.

CANAIS EM ALTA

Sobre os negócios que tiveram mais destaque em 2018, Oliveira cita o Conexxe – empresa especializada no mercado de troca de pontos por viagens – que teve um incremento de 244,8%. A Vai Voando – que comercializa passagens de avião para o público de baixa renda – terá um faturamento 20% superior ao do ano passado. “Nas franquias, iremos ultrapassar a casa do R$ 1 bilhão, um crescimento de 9,8%”, contou. O maior negócio do grupo, o business travel, também foi muito bem neste ano, com um faturamento de R$ 2,5 bilhões. “Hoje 47% do nosso faturamento é do business travel, 39% da consolidação e 13,8% correspondem a varejo e lazer”, contou.

PRÓXIMOS PASSOS

Estes resultados robustos do segundo maior grupo de Turismo do País fazem da Flytour alvo de especulações e expectativas por parte do mercado. Aquisições? Segundo Oliveira, não é algo buscado no momento, uma vez que o grupo tem o histórico de começar novos negócios do zero, mas ao mesmo tempo não descarta oportunidades que aparecerem e dá pistas para onde o radar da empresa está voltado. “O mundo está se consolidando. E isso acontece no Turismo também. Quando olhamos para a América Latina, tudo é ainda muito pulverizado e existem grandes oportunidades em países como Colômbia, Chile, Peru e até Argentina. Há uma sinergia na região que precisa ser melhor trabalhada”, ressaltou.

“Apesar de sermos uma empresa familiar, investimos muito em governança”

Outro assunto recorrente é uma possível abertura de capital, uma vez que há alguns anos o grupo já é auditado sempre por uma das chamadas Big 5 e apresenta resultados robustos, tanto de Ebtda como de faturamento. “Apesar de sermos uma empresa familiar, investimos muito em governança e todos os nossos gestores são formados pelo IBGC. Hoje já somos uma SA, mas de capital fechado. A abertura é algo que não controlamos, mas chegamos até aqui com recursos próprios e acreditamos no que estamos construindo”, concluiu.

OPERADORA

Uma das transformações citadas por Oliveira neste ano de 2018 diz respeito à Flytour Viagens. A operadora do grupo concluiu a sua fusão com a MMT em fevereiro e, mais recentemente, teve a saída de seu sócio-fundador, Michael Barkoczy. Ele explicou que o primeiro passo foi a compra de 100% da MMT, já que o grupo detinha 57% da empresa. Em seguida, foi desenvolvida uma nova plataforma, que migrou todos os clientes para o sistema da Flytour Viagens. “A MMT tinha produtos muito mais taylor made, enquanto a Flytour nasceu para ser full service. Em um primeiro momento, não fazia sentido a fusão, mas fomos amadurecendo e buscando sinergias”, explicou.

MERCADO MAIS PROFISSIONAL

Christiano Oliveira também falou sobre as transformações do mercado. Para ele, o Turismo tem se tornado cada vez mais profissional e maduro. Isso, não apenas pelo fato de ter empresas mais consolidadas e grandes grupos, mas também por conta de uma nova geração de profissionais. “Hoje, os agentes de viagens estão mais em busca de rentabilidade e competitividade, e não escolhem os seus parceiros e fornecedores apenas pelo relacionamento”, acredita. “Estamos evoluindo para relacionamentos mais profissionais e gestão melhor em toda indústria”, concluiu.