Kleber Meira, diretor executivo da Aena Brasil
Kleber Meira, diretor executivo da Aena Brasil (Ana Azevedo/M&E)

SÃO PAULO – O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, está passando por uma ampla transformação estrutural desde dezembro de 2024, com conclusão prevista para junho de 2028. Sob responsabilidade da Aena, o projeto envolve um investimento de R$ 2,4 bilhões, contemplando a construção de um novo terminal de passageiros, ampliação do número de pontes de embarque, modernização de sistemas operacionais e melhorias implementadas desde o início da concessão.

“A entrega de toda a Fase 1B está prevista para junho de 2028. Nesse momento, entregaremos o novo terminal, novas posições de embarque e toda a ampliação prevista”, concluiu Kleber Meira, diretor executivo da Aena Brasil em declaração à imprensa nessa terça-feira (5).

A Aena planeja mais que dobrar a área útil do terminal, passando de 45 mil para 105 mil metros quadrados. “Estamos falando que sairemos de uma área que temos hoje de 45 mil metros quadrados para algo próximo de 105 mil. Mais do que dobramos a infraestrutura do terminal. Mais conforto, mais espaço, mais lojas para os passageiros”, afirmou Meira.

O projeto está dividido em seis fases, planejadas para garantir a operação normal do aeroporto durante todas as intervenções. O novo terminal será conectado ao antigo, preservando o patrimônio histórico, especialmente o hangar da Varig, que será restaurado e integrado à nova estrutura como sala de embarque remoto.

“Nosso compromisso é manter o aeroporto funcionando durante todas as obras. Não podemos fechar Congonhas nem interromper a malha aérea brasileira”, destacou Meira, apontando que esse é o maior desafio do projeto: executar intervenções estruturais sem comprometer a operação diária, vital para o transporte aéreo nacional.

Melhorias entregues e impacto imediato

Nova sala de embarque remota do anda inferior do Aeroporto de Congonhas
Nova sala de embarque remota do Aeroporto de Congonhas (Ana Azevedo/M&E)

Desde o início da concessão, em 2023, a Aena já entregou melhorias que impactam diretamente a experiência dos passageiros. A principal delas é a ampliação da sala de embarque remoto, que será inaugurada nesta quarta-feira (6). O espaço, antes conhecido como “Bate‑Caverna” — em razão do aperto, filas cruzadas e poucas opções comerciais — passou de 1.400 para 3.300 m².

“Estamos expandindo para mais que o dobro e reorganizando totalmente o fluxo”, afirmou Kleber Meira, diretor-executivo da Aena, ressaltando o investimento de R$ 30 milhões na obra. Agora, são 339 assentos (antes eram 213) e 11 pontos comerciais, incluindo drogaria, livraria, spa, lojas e restaurantes.

Além disso, banheiros foram reformados, assentos e tomadas ampliados, e o acesso à área de embarque por aplicativos foi reorganizado, com a criação de um bolsão exclusivo que reduziu o tempo de deslocamento na entrada da Washington Luís em mais de 50%. O número de canais de inspeção passou de 11 para 16, garantindo que 99% dos passageiros passem pelo raio-x em menos de cinco minutos.

O pátio foi revitalizado com pavimento rígido em concreto, substituindo reparos provisórios. O espaço comercial foi ampliado, com mais de 35 lojas reabertas e outras 12 em implantação, além da transformação do antigo espaço do Pizza Hut em uma sala VIP do Bradesco com mais de mil metros quadrados.

A Aena criou uma nova praça para embarque por aplicativos com 72 vagas e garantirá acesso direto à futura estação da Linha Ouro do metrô. A área de meio-fio para embarques e desembarques será ampliada em 250 metros.

Na área de sustentabilidade, a frota de ônibus do aeroporto já tem metade dos veículos 100% elétricos. A Aena incentiva também as companhias aéreas a operarem com aeronaves mais modernas, como o Boeing Max e a família Airbus NEO, mais silenciosas e econômicas.

Vem aí!

aeroporto de congonhas
Renderização do novo terminal de passageiros do Aeroporto de Congonhas (Divulgação/Aena)

A construção do novo terminal começou em dezembro de 2024 e representa a fase principal do projeto. Ele contará com 72 posições de check-in, passíveis de ampliação para 108, e 19 pontes de embarque — contra 12 atualmente — para permitir que até 70% dos passageiros embarquem diretamente nas aeronaves.

“Só de área comercial, serão 20 mil metros quadrados. Vamos sair de 30 posições de embarque para 37. Teremos 19 fingers, o que nos permitirá processar até 70% dos passageiros diretamente em ponte de embarque”, detalhou Meira.

O sistema de bagagens será totalmente automatizado, com 10 carrosséis e sete esteiras de restituição, totalizando 228 metros. A ampliação do pátio elevará o número de posições de parada de 30 para 37, todas adaptadas para aeronaves maiores, como Airbus A321neo e Boeing 737 Max 10. As pistas receberão reforço estrutural, novas taxiways serão construídas, e será instalada uma via de serviço para aviação geral.

Sobre as posições de parada, Meira explicou que “todas as 37 serão full compliance para o A321neo, o Embraer E2 e o 737 MAX — o que hoje não existe”. Por full compliance, entende-se que essas posições estarão totalmente adequadas às especificações técnicas e operacionais exigidas para receber essas aeronaves modernas, garantindo segurança e eficiência.

Operações internacionais no Aeroporto de Congonhas

aeroporto de congonhas
Operações internacionais estão na mira da Aena para o Aeroporto de Congonhas. (Divulgação/Aena)

A Aena já protocolou junto à Anac e à Secretaria de Aviação Civil pedido para operar voos internacionais regionais em Congonhas. “A expectativa é que tenhamos voos internacionais em Congonhas a partir de 2028. Claro que regionais, como Santiago ou Aeroparque, que têm sinergia com a malha da Latam, por exemplo”, afirmou Meira.

O Aeroporto de Congonhas prevê retomar voos internacionais comerciais a partir de 2028, após a conclusão da modernização do terminal. “A ideia é começar em breve com aviação geral e executiva. Mas os voos comerciais internacionais devem ocorrer a partir de 2028, já com a nova sala de embarque remota concluída”, afirmou Kleber Meira.

A operação internacional será restrita a rotas na América do Sul, devido a limitações de pista e infraestrutura. “Não é por causa da certificação do FAA, e sim pelo tamanho da pista e o combustível necessário. Para um voo transoceânico, como Paris, é preciso um A350 ou um Boeing 777, que exigem pistas mais longas. Como não dá para desapropriar a Avenida dos Bandeirantes, então, trabalhamos com o que temos”, explicou Meira.

A Aena já negocia com companhias como Sky Airline, JetSmart e Flybondi, além de manter conversas com Azul, Gol e Latam. “Podemos ter ponte aérea com o Aeroparque, o que tem grande potencial. De lá, você conecta com Santiago, que é um hub da Latam”, disse o diretor.

Mesmo com a ampliação, o horário de funcionamento continuará restrito entre 6h e 23h, com crescimento baseado no uso de aviões maiores. “Isso é o que permite o crescimento de 30% e justifica o business plan”, concluiu Meira.