Azul Viagens: Giulliana Mesquita explica o que mudou com o Chapter 11 e os novos rumos para o turismo brasileiro
Giulliana Mesquita, nova head da Azul Viagens (Divulgação/Azul Viagens)

MACEIÓ (AL) – A Azul vive um momento decisivo em sua história: desde maio, a empresa está em recuperação judicial nos Estados Unidos, no chamado Chapter 11, que prevê uma reestruturação profunda para garantir sua saúde financeira. Nesse contexto, a Azul Viagens, braço turístico da companhia, também sente os reflexos dessas mudanças.

Em entrevista exclusiva ao Mercado & Eventos, Giulliana Mesquita, a nova head da Azul Viagens, explica que o cancelamento de 13 rotas e o corte de 53 voos com baixa rentabilidade fazem parte desse processo de reorganização para manter a operação sustentável.

Mais do que um obstáculo, a executiva explica que o Chapter 11 tem fortalecido as parcerias com agentes, estados e municípios, que seguem firmes na retomada das viagens. Ela também falou sobre os desafios enfrentados no primeiro semestre, como o dólar alto e o aumento do preço do combustível, e os planos para o segundo semestre, com foco no Nordeste, expansão dos destinos internacionais e a manutenção da força de Orlando. Veja a entrevista completa:

Mercado e Eventos (M&E): O que o cancelamento das 13 rotas da Azul recentemente significa para a Azul Viagens?

Giulliana Mesquita (GM): Estamos bem no momento do processo de reestruturação financeira e acho que faz parte a gente reavaliar algumas coisas. Estamos tomando as decisões que precisam ser tomadas pra conseguir dar continuidade ao processo do Chapter. Claro, sempre existe impacto, nos destinos que foram retirados, mas eu entendo que é um processo do Chapter.

M&E: O Chapter tem atrapalhado de alguma forma a operação de vocês? Tem diminuído o fluxo de caixa?

GM: Na verdade, só reforça a parceria que a gente tem. Tenho falado bastante que acabamos sendo muito felizes porque, nesses momentos, enxergamos a quantidade de parceiros, estados, municípios que não soltaram a mão da Azul. Acho que esses parceiros são essenciais para a nossa saída e para o nosso fortalecimento cada vez mais.

M&E: Estamos em agosto. Como foi o panorama do primeiro semestre e o que vocês esperam para o segundo?

GM: Durante o semestre, não só na Azul, mas globalmente, várias questões impactaram o setor, principalmente o dólar e o preço do combustível. São temas que têm sido cada vez mais discutidos e que afetam, de certa forma, as viagens. Mas, como sempre digo, o desafio está aí: precisamos ser constantemente desafiados para superar essas barreiras. Nesta nova função que assumi, vejo que temos desafios importantes na operadora. Estamos revisitando processos, um pouco mais reclusos, para planejar e nos preparar melhor, trazendo coisas boas e novidades para o público.

M&E: Vocês lançaram novos voos de Congonhas para Maceió. Como está sendo esse desafio, considerando a forte concorrência?

GM: Congonhas é um mercado bastante competitivo, mas acho que esse megafamtour é fundamental para mostrarmos a força das viagens, a qualidade dos agentes e, claro, para aproximar esses agentes desse conhecimento. Com a parceria do trade e do estado, tudo fica muito mais fácil para construirmos juntos essa relação com os agentes de viagem.

M&E: Para o verão, o foco continua no Nordeste ou há outras regiões no radar?

GM: Temos outros destinos dedicados, mas o Nordeste continua sendo nosso principal produto aéreo. Bonito também tem recebido bastante atenção da gente. E sempre reforçamos que, quando falamos do interior de São Paulo e Minas Gerais, o pessoal geograficamente busca muita praia, o que é natural. O brasileiro tem viajado cada vez mais e quer explorar novos destinos. No internacional, começamos este ano com três novas rotas: Mendoza, Porto e Madri, que são muito importantes para a gente.

M&E: Qual é o destino nacional e internacional mais vendido atualmente?

GM: O Nordeste é o mais vendido, mas sempre oscila entre vários destinos. Não existe um único principal, e isso é muito positivo. O Nordeste tem uma prateleira muito completa, e acho importante trazê-lo para o internacional, porque tem capacidade para competir com o Caribe, essa é a intenção. Já no internacional, Orlando é o nosso carro-chefe. Temos parcerias sólidas com Disney, Universal e Sea World, que sempre estão conosco. No fim, essas parcerias fazem toda a diferença.

M&E: O Epic, da Universal, tem feito diferença nas vendas para Orlando? Ele ajuda a manter o interesse dos brasileiros mesmo com a alta do dólar?

GM: Sim, o Epic tem ajudado bastante. Ele permite que os brasileiros alonguem a estadia nos parques, o que é um diferencial importante. Mesmo com o dólar alto, esse benefício mantém a linearidade nas vendas, porque o público percebe valor em passar mais dias aproveitando os parques. No final, isso é vantajoso tanto para os viajantes quanto para a operadora.

*O M&E viaja com apoio da Shift Mobilidade Corporativa e proteção GTA