
O jornalismo tem como missão ouvir todos os lados, dar voz, questionar e esclarecer. É por isso que, sempre que uma empresa ou figura pública fala, é dever da imprensa registrar. Mas também é nosso papel indagar: o que de fato foi dito? O que ficou sem resposta?
No caso da ViagensPromo e de seu fundador, Renato Kido, algumas falas recentes à imprensa chamam atenção não apenas pelo conteúdo, mas principalmente pelas lacunas.
- Enquanto ViagensPromo deixa clientes sem resposta, Kido nega nova empresa, mas busca ex-funcionários
- Moav critica Kido e cobra transparência sobre prejuízos da ViagensPromo
- “A declaração de insolvência não exime a empresa de suas obrigações legais”: o que fazer após a declaração da ViagensPromo?
“Não estou sumido” — mas onde estava?
Kido afirmou que trabalha “diariamente” na resolução de casos, negando que esteja ausente. Mas desde quando não aparecia publicamente? Se a empresa está em plena operação, por que não houve manifestações oficiais constantes ao longo dos últimos meses? Quantos casos, afinal, foram solucionados até agora, e qual a previsão para os milhares que seguem pendentes? Nenhuma dessas perguntas foi respondida de forma objetiva.
Culpa de quem?
Outra linha recorrente é a de responsabilizar terceiros. Segundo Kido e seu advogado, parte dos prejuízos seria culpa de “agências caloteiras” ou de assessores e ex-funcionários que “não corresponderam”. Mas quais agências? Alguma foi nominalmente citada ou procurada para comprovar essa versão? Que soluções concretas a VP teria oferecido e que supostamente teriam sido rejeitadas?
Se “não vem ao caso” falar sobre falhas internas, por que então insistir em destacar esses pontos?
Volta ao mercado: boato ou bastidor?
Kido negou estar articulando uma nova empresa e afirmou estar “sem cabeça” para isso. Mas a apuração do M&E mostra que ex-funcionários foram procurados com convites para uma eventual “volta por cima”, além de mensagens enviadas a hotéis e pousadas pedindo tarifários para 2025/2026. Há ainda registros de CNPJs ativos em nome do empresário e páginas em redes sociais associadas a novos projetos. Coincidências? Possivelmente. Mas são pontos que merecem ser esclarecidos, e não apenas descartados como “boatos ridículos”.
Quem ficou de fora da entrevista
No fim, a questão mais relevante continua sem espaço: a voz dos agentes de viagens e consumidores prejudicados. São eles que bancaram a operação, que investiram dinheiro, tempo e reputação na ViagensPromo, e que hoje amargam prejuízos.
É legítimo ouvir Kido. Mas é igualmente urgente ouvir os milhares que continuam sem solução. Ao priorizar apenas uma versão, a narrativa permanece incompleta. Inclusive, estamos abertos a ouvir Kido e seus advogados, assim como já procuramos e não obtivemos respostas.
O papel do jornalismo

A imprensa não deve servir apenas como palco para justificativas. Nossa função é também questionar, apurar e dar visibilidade às histórias que importam. É por isso que o M&E reafirma seu compromisso: estamos abertos para ouvir todos os envolvidos, especialmente os que foram prejudicados. E inclusive, novamente, Kido e seus advogados!
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Afinal, se a ViagensPromo realmente “tem tanto a dizer, nada deve e quer resolver”, por que não se pronunciar de forma clara, pública e transparente para todo o mercado e, principalmente, para aqueles que ainda aguardam respostas?
Fica a reflexão!







