
A crise de pilotos na Azul Linhas Aéreas se aprofundou em setembro. Segundo dados, a companhia registrou 48 pedidos de demissão em apenas um mês, número que supera em mais de três vezes a média mensal observada até então.
Até agosto, a Azul vinha perdendo cerca de 14 pilotos por mês, somando 128 desligamentos no acumulado do ano. Um documento interno da empresa indicava a previsão de mais 36 saídas até dezembro, o que colocaria o total anual dentro das estimativas. Mas a projeção foi ultrapassada em apenas quatro semanas.
A lista de desligamentos mostra que o maior impacto ocorreu entre tripulantes do Airbus A320 e do Embraer E195, com 21 copilotos e 7 comandantes deixando a empresa. O movimento também atingiu as operações regionais da Azul Conecta, com baixas entre pilotos do Cessna Caravan.
Grande parte dos profissionais seguiu para concorrentes diretas, como Gol e Latam, ou para companhias internacionais, incluindo a Etihad Airways, dos Emirados Árabes. Entre os motivos apontados estão insatisfação com escala, remuneração e falta de perspectivas de crescimento.
Em transmissões internas recentes, a diretoria da Azul reconheceu o cenário, mas não anunciou medidas concretas para conter a evasão. Apesar do quadro, há reflexos positivos para quem permanece: pilotos de A320 e A330 passaram a ter maior chance de promoção, diante da redução expressiva na lista de senioridade.
Hoje, o déficit operacional estimado da Azul é de cerca de 100 pilotos, considerando contratações, promoções e desligamentos. A única frota que segue estável é a do Pilatus PC-12, usada em voos de suporte e sem operação comercial.
*Com informações de Aeroin







