
Desde ontem, dia 12 de outubro, viajar para a Europa deixou de ser a experiência conhecida por milhões de turistas. O tradicional carimbo no passaporte começa a ser substituído por um registro digital com coleta de impressões digitais e fotografia facial sob o novo Entry/Exit System (EES), que entrará em vigor em 29 países do espaço Schengen após anos de adiamentos. A promessa é reforçar a segurança e modernizar fronteiras, mas a transição deve ser marcada por filas, adaptação operacional e dúvidas entre viajantes.
O EES faz parte de uma estratégia mais ampla da União Europeia para digitalizar controles migratórios e combater imigração irregular e fraudes de identidade. Na prática, todo viajante de fora da UE – incluindo brasileiros, britânicos, americanos e canadenses – terá de registrar dados biométricos na primeira entrada após o início do sistema. A verificação ocorrerá por meio de quiosques de autoatendimento ou em cabines operadas por agentes, dependendo do aeroporto ou fronteira terrestre.
“Os aeroportos estão relativamente preparados, mas ainda há incertezas sobre como será nas fronteiras terrestres e portos menores”, disse Christina Russe, porta-voz da Associação Europeia de Agentes de Viagem e Operadores de Turismo (ECTAA). A avaliação é compartilhada por operadores logísticos, especialmente no Reino Unido, onde autoridades antecipam maior impacto em travessias rodoviárias como Dover, terminal da Eurotúnel e conexões com a França.
O sistema será implementado em etapas até 10 de abril de 2026. No início, o foco será em pontos de grande movimentação, como aeroportos e cruzamentos estratégicos.
Os 29 países participantes incluem Espanha, França, Itália, Portugal, Alemanha, Grécia e Holanda. Fora do sistema ficam Irlanda e Chipre, que continuam com procedimentos tradicionais. Na primeira entrada, o viajante informará dados pessoais, país de entrada, passaporte e terá impressões digitais escaneadas. Crianças menores de 12 anos estão isentas da biometria.
Embora planejado para aumentar a eficiência ao eliminar a checagem manual de passaportes, o EES deve produzir o efeito inverso no curto prazo. Governos discutem protocolos de contingência: autoridades poderão suspender temporariamente o sistema se houver formação de longas filas. “É uma modernização necessária, mas o desafio será a operação”, disse Yann Leriche, CEO da Eurotunnel, que diz não esperar caos, “desde que os passageiros cheguem preparados”.
O banco de dados gerado pelo sistema armazenará informações por até três anos e poderá ser compartilhado com autoridades de imigração, polícia local e a Europol. A União Europeia afirma que a transferência internacional de dados será regulada “sob forte proteção legal”. Quem se recusar a fornecer biometria será barrado na entrada.
Para o viajante eventual, o benefício deve ser sentido apenas no retorno à Europa, quando o registro biométrico já estiver armazenado e o processo, em tese, será mais rápido. Mas até que o sistema amadureça, a recomendação de companhias aéreas e autoridades europeias é clara: sair mais cedo de casa, esperar filas e manter a paciência – pelo menos até que o fim do carimbo se traduza, de fato, em agilidade digital.
Com informações do The Guardian







