FAA
Paralisação termina, mas FAA mantém cortes de voos até garantir estabilidade do sistema aéreo (Stephanie Scarbrough/AP)

O fim da paralisação mais longa da história do governo dos Estados Unidos trouxe alívio, mas não o retorno imediato à normalidade. Mesmo após o presidente Donald Trump sancionar o projeto que encerra o shutdown de 43 dias, a Administração Federal de Aviação (FAA) anunciou que manterá em 6% a redução de voos em 40 dos principais aeroportos do país, ao menos por enquanto.

A medida, que havia sido implementada na semana anterior, deveria subir para 10% até o fim desta semana, mas foi suspensa diante da volta gradual de controladores de tráfego aéreo ao trabalho. Segundo o Departamento de Transporte, a decisão foi tomada com base em recomendações da equipe de segurança da FAA, que identificou uma “queda rápida” nos afastamentos dos controladores.

Durante a paralisação, milhares desses profissionais deixaram de trabalhar, alegando estresse e a necessidade de buscar outras fontes de renda, já que ficaram sem receber dois salários consecutivos. O resultado foi um impacto direto nas operações aéreas do país: desde o início das restrições, mais de 10.100 voos foram cancelados, segundo dados da FlightAware.

O secretário de Transporte, Sean Duffy, afirmou que o corte de 6% permanecerá até que seja considerada segura a retomada total do sistema. “Se a equipe de segurança da FAA determinar que as tendências estão evoluindo positivamente, apresentaremos um plano para retomar as operações normais”, disse.

O administrador da FAA, Bryan Bedford, reforçou que as decisões continuarão sendo guiadas por dados e que a segurança permanece como prioridade máxima. A agência evitou divulgar quais indicadores específicos levaram à decisão, mas Duffy citou incidentes preocupantes, como aviões voando em distâncias menores do que o recomendado, incursões em pistas e queixas de pilotos sobre o tempo de resposta dos controladores.

Entre os 40 aeroportos afetados, estão alguns dos maiores hubs dos Estados Unidos, como Nova York, Atlanta, Los Angeles e Chicago. A ordem da FAA obriga todas as companhias aéreas comerciais a ajustar suas operações para cumprir os limites estabelecidos.

A associação Airlines for America (A4A), que representa as companhias aéreas do país, comemorou o fim do shutdown e afirmou nas redes sociais que a reabertura do governo permitirá às empresas “restaurar as operações antes do feriado de Ação de Graças”, que ocorre em cerca de duas semanas. Ainda assim, a entidade alertou para “efeitos residuais” que devem perdurar por alguns dias, já que muitas aeronaves foram remanejadas e estão fora de suas rotas originais.

Segundo o professor Eric Chaffee, especialista em gestão de risco da Case Western Reserve University, as companhias aéreas enfrentam desafios complexos para reorganizar cronogramas de voos planejados com meses de antecedência. “A recuperação do sistema aéreo não acontece de um dia para o outro”, destacou.

Antes do fim da paralisação, tanto a Airlines for America quanto a American Hotel & Lodging Association haviam apelado ao Congresso para pôr fim ao impasse, temendo um colapso logístico às vésperas do feriado.

O CEO da U.S. Travel Association, Geoff Freeman, aproveitou o momento para defender mudanças que impeçam novas crises do tipo. “Trabalhadores federais essenciais, como controladores de tráfego e agentes da TSA, precisam ser pagos se o Congresso voltar a trilhar esse caminho insensato. Os Estados Unidos não podem se permitir outra crise autoinfligida que ameace sistemas dos quais milhões dependem todos os dias”, afirmou.

Com o governo reaberto, as atenções agora se voltam à estabilidade do sistema aéreo. Embora os sinais de melhora já comecem a aparecer, a plena normalização do transporte nos céus americanos ainda depende da recomposição completa das equipes e de garantias de segurança para passageiros e profissionais.