Entre metas e tecnologia, TH Talks ESG aponta os próximos passos da aviação e do turismo corporativo
Lideranças do setor analisam desafios e soluções para um turismo mais sustentável (Giulia Jardim/M&E)

SÃO PAULO – O TH Talks ESG reuniu o trade de viagens na manhã desta quarta-feira (19), no Renaissance São Paulo Hotel, para uma discussão atual e urgente sobre sustentabilidade no setor. O encontro, que acontece em uma semana marcada pela reta final da COP30, apresentou perspectivas técnicas, novos caminhos para responsabilidade ambiental e uma novidade relevante para empresas que buscam avançar em metas de emissões.

O evento reuniu lideranças do setor corporativo, executivos da aviação e especialistas em ESG, em um debate marcado por visões complementares e experiências práticas. A mediação ficou a cargo de Fernando Sampaio, diretor de Operações & Supply da Tour House.

Além das apresentações de Vinicius Gonçalves e Annette Taeuber, o encontro reuniu também Rodrigo Bastos, da Venice; Patrícia, da Marriott; Ivan Lima, da IRL Consult; Tuba Lyra e Gian Terhoch, da Tour House; e Natallia Almeida, da Eccaplan.

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Programa de Sustentbilidade da Tour House

No painel “Construindo um futuro cada vez mais sustentável com a Tour House”, Vinícius Gonçalves, diretor Comercial e de Marketing da TMC, destacou que a agenda ambiental faz parte da cultura da empresa muito antes de o tema ganhar força no mercado. Ele ressaltou o simbolismo do encontro ocorrer durante a reta final da COP30: “Não poderia ter uma data melhor para fazermos esse evento do que a última semana da COP30 no Brasil. O país está representando muito bem aquilo que faz de melhor, que é cuidar do nosso planeta.”

Vinícius relembrou marcos importantes dessa trajetória, como a neutralização total de carbono desde 2007, quando a Tour House se tornou a primeira agência de viagens do país a receber o selo de carbono neutro. “Neutralizamos 100% do CO₂ da nossa operação desde então, numa época em que ninguém aqui sabia o que significava ESG”, disse. Ele citou iniciativas estruturantes, como a Green Friday e a política de plástico zero. Além das frentes ambientais, a empresa mantém apoio contínuo a projetos sociais e atua fortemente na formação de jovens, enquanto lidera um volume anual de 4 mil eventos e 380 mil participantes.

O executivo também detalhou metas sociais e de diversidade que reforçam o compromisso público da TMC. “Nosso compromisso é que, até 2025, vamos neutralizar 100% do nosso carbono — o dobro do que já neutralizamos hoje”, afirmou. Ele destacou ainda a meta de chegar a 50% de pessoas não brancas em cargos de liderança até 2030, além do avanço em inclusão: “Temos também a meta de chegar a 20% de colaboradores da comunidade LGBTQIAPN+. Já estamos em 19%.”

TH Carbon Balance: ferramenta inédita para mensurar e compensar emissões

O grande destaque da programação foi o lançamento do TH Carbon Balance, desenvolvido pela Tour House em parceria com a Ecaplan. “Criamos um programa em parceria com a Ecaplan que estima a pegada de carbono de cada passagem e emite um certificado de compensação para as empresas. Agora, todo cliente TurHouse terá a oportunidade de neutralizar o CO₂ de suas passagens aéreas com poucos cliques”, celebrou Vinicius.

A solução permite que empresas calculem a pegada de carbono de cada viagem, recebam relatórios detalhados, compensem emissões por meio de créditos de carbono e emitam certificados auditáveis — uma demanda crescente do mercado para cumprir metas ESG e reportar dados precisos.

Lufthansa Group apresenta visão técnica para a era ESG 2.0

A última apresentação do dia, conduzida por Annette Taeuber, Country Manager do Lufthansa Group, trouxe um panorama claro e direto sobre o avanço da aviação rumo à chamada ESG 2.0. Logo no início, ela corrigiu uma percepção comum sobre o impacto do setor: “A maioria das pessoas acha que a aviação representa 20% ou 30% das emissões globais. Na verdade, são 3%. Para nós, esses 3% são 100% da nossa responsabilidade.” A fala abriu caminho para uma explicação sobre a responsabilidade compartilhada e o papel estratégico das companhias aéreas na transição climática.

Annette ressaltou que o Lufthansa Group se destaca globalmente por trabalhar com metas validadas por critérios científicos. “A Lufthansa Group é o único grupo aéreo do mundo com metas validadas pelo Science Based Targets Initiative — não só colocamos metas, como medimos, auditamos e certificamos cada resultado”, afirmou. Ela lembrou que o setor trabalha com um compromisso internacional: “O setor aéreo estabeleceu a meta de chegar a 0% de emissões em 2050. É ambicioso, mas preciso.”

Ao detalhar o caminho para essa transformação, a executiva destacou que parte significativa da redução de emissões até 2030 virá da renovação da frota. “Das reduções que buscamos até 2030, 30% virão da modernização da frota. Investimos 2,5 bilhões de euros por ano, o equivalente a uma aeronave nova a cada duas semanas.” O avanço do SAF (Sustainable Aviation Fuel) compõe a outra frente essencial: “O SAF reduz em até 80% as emissões de CO₂ e não precisa de nenhuma adaptação nos motores. É praticamente um combustível flex.”

A apresentação também trouxe exemplos de inovação operacional, como a tecnologia AeroShark, película desenvolvida pela BASF que reduz o atrito da fuselagem. “A película AeroShark reduz o atrito da fuselagem e economiza 1,1% de CO₂. Parece pouco? Não é. Nos voos São Paulo–Zurique, o equivalente a 59 voos anuais tiveram emissão zero graças à tecnologia”, explicou.

A apresentação foi finalizada com orientações práticas sobre compensação, tarifas corporativas e certificações disponíveis para empresas em busca de uma operação mais sustentável.

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