Recorde histórico: aviação brasileira tem melhor outubro com mais de 10 milhões de passageiros transportados
Anac aponta tarifa média de R$ 665, mas admite que muitos pagam bem acima disso (Divulgação/FeePik)

Deputados da Comissão de Turismo voltaram a cobrar explicações sobre o valor das passagens aéreas no Brasil, após novos dados mostrarem aumentos acima da média nacional e tarifas domésticas próximas, ou até superiores, a rotas internacionais. No debate desta quarta-feira (26), parlamentares apontaram que Gol, Latam e Azul praticam preços “quase iguais”, enquanto representantes do setor afirmaram que os custos operacionais seguem pressionados por combustível caro, dólar alto e carga tributária crescente.

O deputado Robinson Faria (PP-RN), autor do requerimento, trouxe exemplos que considera alarmantes. “Tem voo Brasília–Manaus custando mais caro do que Brasília–Lisboa”, disse. Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), citado pelo parlamentar, as tarifas no Brasil subiram em média 118% desde a pandemia e chegaram a 328% na região Norte. Ele também criticou o fato de as três companhias não terem enviado representantes. “A diferença entre as tarifas é de centavos”, afirmou.

Coube a Renato Rabelo, da Abear, defender o setor sozinho. Ele atribuiu os preços ao impacto do dólar sobre o querosene de aviação, responsável por mais de 30% dos custos, e lembrou que, mesmo com produção nacional, o combustível segue tabela internacional. Rabelo citou ainda custos bilionários com ações judiciais, aumento de impostos e mudanças regulatórias. Sobre a proximidade dos valores cobrados pelas empresas, afirmou que “os custos fixos são praticamente os mesmos para todas”.

O deputado Keniston Braga (MDB-PA) reforçou que a região Norte sofre com tarifas que considera “um problema quase sem fim” e criticou a promessa frustrada de redução de preços após a cobrança por despacho de bagagens. “Ninguém sentiu essa queda”, disse.

Já o gerente da Anac, Marco Antônio Porto, ponderou que o estudo da CNC pode ter sido influenciado pela metodologia utilizada e apresentou outro número: a tarifa média nacional dos últimos 12 meses ficou em R$ 665 por trecho. Ele afirmou que, no longo prazo, houve queda de 36% entre 2002 e 2024, mas reconheceu que “a tarifa média não diz tudo”. Segundo Porto, o impacto real da cobrança por bagagens na receita das empresas é de apenas 1,8%.

*Com informações de Agência Câmara de Notícias