Copa 2026: tudo o que você precisa saber para programar a sua viagem
Vistos, seguro e grupos definidos: como se preparar para a maior Copa da história (Reprodução/Remessa Online)

A Copa do Mundo de 2026 marca uma série de estreias: será a primeira disputada por 48 seleções, a primeira em três países simultaneamente e, certamente, a primeira em que o torcedor terá de planejar com mais atenção para não enfrentar contratempos. Estados Unidos, México e Canadá receberão o torneio entre 11 de junho e 19 de julho, em 16 cidades que vão do litoral californiano a metrópoles canadenses e mexicanas.

Confira, no fim do texto, a lista completa dos grupos.

Com uma malha de sedes tão ampla, torcedores que pretendem circular entre os três países devem ter atenção redobrada às regras de imigração. A especialista Adriana Santos, gerente da Schultz Vistos Consulares, alerta que cada destino mantém exigências próprias, sem integração migratória entre si. “É fundamental que o viajante esteja autorizado a entrar individualmente em cada país. Mesmo quem já tem visto americano precisa verificar com antecedência se atende às regras para Canadá e México”, afirma.

Vistos: o que cada país exige?

Apesar de vistos separados serem suficientes para transitar durante o Mundial, controles migratórios costumam ficar mais rígidos em períodos de grande fluxo. Para evitar problemas, a especialista recomenda portar:

• passaporte válido por ao menos seis meses;
• passagens de ida e volta;
• comprovantes de hospedagem;
• ingressos dos jogos;
• seguro viagem;
• comprovação de recursos financeiros.

Para quem já possui visto americano B1/B2 válido, há vantagens:

Para quem já possui o visto americano B1/B2 válido, a viagem pode ficar mais simples. No México, esse visto permite a entrada do turista brasileiro sem a necessidade de solicitar um visto mexicano, desde que a visita seja a turismo, negócios ou apenas em trânsito.

No Canadá, o documento também facilita: quem tem visto americano válido e chega ao país por via aérea pode solicitar a ETA (Electronic Travel Authorization), uma autorização eletrônica rápida, feita on-line, que custa cerca de CAD 7 e costuma ser aprovada em poucos minutos. A regra, porém, não vale para entradas por terra ou mar, que exigem o visto canadense tradicional no passaporte.

“Cada caso deve ser analisado separadamente. Quanto mais preparado o turista estiver, menores as chances de qualquer transtorno”, reforça Santos.

Além dessas facilidades, os Estados Unidos anunciaram recentemente um sistema prioritário de emissão de vistos para torcedores que comprovarem a compra de ingressos para a Copa.

Seguro viagem: item indispensável para 2026

Além da documentação e dos vistos, outro ponto que merece atenção é o seguro viagem. Ele se torna ainda mais importante em destinos como os Estados Unidos, onde os custos médicos podem chegar a valores muito elevados.

Segundo informações da Affinity, uma apendicite em Miami pode passar de US$ 50 mil, enquanto uma simples consulta por dor de cabeça pode chegar a US$ 200. Atendimentos como gastroenterite (US$ 250), infecção urinária (US$ 250) ou torção de tornozelo (US$ 5.500) também representam despesas relevantes. No México, os valores são mais acessíveis, mas ainda significativos.

Para quem pretende assistir a jogos em mais de um país, o ideal é contratar um seguro com cobertura internacional ampliada, válido nos três destinos. Além de despesas médicas, o seguro cobre:

  • extravio de bagagem;
  • cancelamento de voos;
  • acidentes pessoais;
  • assistência durante deslocamentos internos.

Transporte entre as cidades-sede: distâncias longas exigem planejamento

Com 16 cidades espalhadas por três países, a logística da Copa de 2026 exige atenção redobrada. As distâncias são grandes e, em muitos casos, o deslocamento entre um jogo e outro depende de voos internos. Nos Estados Unidos, tarifas aéreas podem subir rapidamente conforme a demanda aumenta, principalmente em rotas como Las Vegas–Dallas, Miami–New York e Kansas City–Seattle. Já no Canadá e no México, a oferta de voos é menor, o que reforça a importância de reservar com antecedência.

Além disso, algumas cidades-sede — como Atlanta, Dallas e Los Angeles — têm sistemas de transporte público limitados para acesso aos estádios, o que pode exigir uso de aplicativos de mobilidade ou shuttles oficiais. O ideal é considerar o tempo de deslocamento entre aeroportos, hotéis e arenas ao montar o roteiro.

Hospedagem: alta demanda e alternativas próximas

Outra etapa que deve ser definida cedo é a hospedagem. Cidades como Vancouver, Toronto, Miami e Nova York já registram aumento de demanda, e localidades menores, como Kansas City, podem ter disponibilidade limitada durante o torneio. A recomendação é priorizar reservas com cancelamento flexível, garantindo preços melhores.

Também vale considerar hospedagens em cidades vizinhas que oferecem boa conexão, como Newark para quem vai aos jogos em Nova York, ou cidades próximas a Boston conectadas por trem.

Alfândega e bagagem: regras variam entre os três países

Ao circular entre EUA, Canadá e México, o torcedor encontrará regras alfandegárias diferentes. Medicamentos de uso contínuo devem estar acompanhados de receita, principalmente ao entrar nos Estados Unidos. Alimentos in natura, frutas, carnes e derivados geralmente são proibidos na entrada americana e canadense. Já compras de eletrônicos ou itens de maior valor podem exigir declaração, dependendo do país de destino e da franquia de isenção aplicável.

Clima: calor intenso, altitude e grandes contrastes

Embora a Copa ocorra no verão do hemisfério norte, o clima varia bastante entre as sedes. Miami, Dallas, Houston e Cidade do México tendem a registrar temperaturas elevadas, enquanto Vancouver e Toronto costumam ser mais amenas. A altitude também é um fator relevante em cidades mexicanas, como Cidade do México e Guadalajara, que podem exigir adaptação do corpo nos primeiros dias. Esses contrastes influenciam tanto o conforto do torcedor quanto os itens essenciais na bagagem.

Moeda e custos: três países, três realidades

Viajar pela Copa envolve lidar com três moedas diferentes: o dólar americano, o dólar canadense e o peso mexicano. Os custos variam bastante entre as sedes. Refeições simples nos Estados Unidos costumam ficar entre US$ 15 e US$ 25 por pessoa; no Canadá, entre CAD 15 e CAD 30; e no México, entre MXN 150 e MXN 300. Vale lembrar que gorjetas são uma prática praticamente obrigatória nos EUA e no Canadá, geralmente entre 15% e 20%.

Conexões e escalas: regras que evitam surpresas

Para quem planeja voar entre os três países, é importante estar atento às exigências de cada fronteira. Uma conexão nos Estados Unidos exige visto americano, mesmo que o passageiro não saia do aeroporto. Da mesma forma, voos internacionais com escala no México ou no Canadá podem exigir visto ou autorização específica conforme a nacionalidade do viajante.

Grupos definidos: Brasil encara Marrocos, Escócia e Haiti

O sorteio realizado hoje em Washington colocou o Brasil no Grupo C, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. Os jogos da fase inicial da seleção de Carlo Ancelotti acontecerão em Boston, Nova York, Filadélfia, Miami e Atlanta.

A estreia será contra Marrocos; na sequência, o Brasil enfrenta o Haiti e fecha a fase de grupos diante da Escócia.

Caso avance como líder da chave, a seleção enfrentará o 2º colocado do Grupo F (Holanda, Japão, Tunísia e Repescagem Europa B). Em um cenário provável, o caminho brasileiro pode envolver México nas oitavas, Inglaterra nas quartas e Argentina na semifinal.

A competição terá 104 jogos e será aberta no lendário Estádio Azteca, na Cidade do México. A final acontecerá no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Confira todos os grupos da Copa do Mundo 2026:

Grupo A: México, Coreia do Sul, África do Sul e Repescagem Europa D;
Grupo B: Canadá, Suíça, Qatar e Repescagem Europa A;
Grupo C: Brasil, Marrocos, Escócia e Haiti;
Grupo D: EUA, Austrália, Paraguai, Repescagem Europa C;
Grupo E: Alemanha, Equador, Costa do Marfim e Curaçao;
Grupo F: Holanda, Japão, Tunísia e Repescagem Europa B;
Grupo G: Bélgica, Irã, Egito e Nova Zelândia;
Grupo H: Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde;
Grupo I: França, Senegal, Noruega e Repescagem Mundial B;
Grupo J: Argentina, Áustria, Argélia e Jordânia;
Grupo K: Portugal, Colômbia, Uzbequistão e Repescagem Mundial A;
Grupo L: Inglaterra, Croácia, Panamá e Gana.

Com caminhos definidos, regras esclarecidas e sedes prontas para receber milhões de visitantes, o planejamento é a principal ferramenta do torcedor para viver a maior Copa da história com segurança e tranquilidade.