Expulso do União Brasil, Celso Sabino reage e mira casos internos do partido
Ministro do Turismo contesta decisão da Executiva, diz ter sido “injustiçado” e incomoda dirigentes ao citar tratamento diferente dado ao caso Master, que envolve o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar

O ministro do Turismo, Celso Sabino, reagiu à decisão do União Brasil, que o expulsou do partido nesta segunda-feira (08), após ele permanecer no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contrariando a orientação da legenda. “Sou ficha limpa e fui injustiçado”, afirmou Sabino a interlocutores, em recado visto como uma alfinetada à cúpula partidária.

A expulsão foi aprovada por 3/5 dos 16 integrantes da Executiva Nacional, confirmou o relator do processo, deputado Fábio Schiochet (União Brasil-SC). Além de ser desligado, Sabino teve sua filiação cancelada. A punição atende ao parecer do Conselho de Ética, que recomendou sua saída e a dissolução do diretório estadual do Pará, até então comandado por ele.

Recados internos e incômodo na cúpula

A fala de Sabino foi interpretada como um recado direto a setores do partido. Aliados do ministro demonstraram incômodo com o que chamam de “dois pesos e duas medidas” no União Brasil, lembrando, nos bastidores, que a sigla segue sem decisão concreta sobre o caso envolvendo o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, alvo de investigação da Polícia Federal na Operação Master, que apura suposto esquema de corrupção e direcionamento de contratos no legislativo fluminense.

Para aliados de Sabino, a rapidez com que o ministro foi punido, enquanto outras situações internas seguem em aberto, reforça que a decisão teve também motivação política, e não apenas disciplinar.

A batalha por 2026

Sabino pretende disputar o Senado em 2026 e já recebeu sinalizações de apoio do presidente Lula para sua candidatura no Pará. A aproximação, porém, não implica alinhamento automático com o governador Helder Barbalho (MDB), aliado do Planalto no estado.

A manutenção do ministro no governo federal, contrariando a determinação da sigla para que todos os filiados deixassem cargos no Executivo, foi o estopim para sua expulsão. A cúpula do partido sustentou que a diretriz tinha como objetivo uniformizar a posição da legenda e evitar ambiguidades no posicionamento político rumo às eleições municipais e gerais.

Com informações do Estadão e Agência Brasil